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O agronegócio de Santa Catarina tem se destacado consistentemente como um pilar de robustez econômica e inovação. Com números que impressionam, o setor não apenas impulsiona a economia estadual, mas também se posiciona como um líder nacional em eficiência e produtividade. Por trás desses resultados expressivos, reside uma transformação silenciosa, porém poderosa: a crescente integração da tecnologia nas propriedades rurais. Essa sinergia entre o conhecimento tradicional do produtor e as soluções de ponta redefine o futuro da agricultura catarinense, permitindo decisões mais rápidas, assertivas e baseadas em dados concretos, um verdadeiro salto da intuição para a inteligência.

O motor econômico de Santa Catarina: agronegócio e inovação

O ano de 2025 marcou um recorde histórico para a agropecuária catarinense, que alcançou um Valor da Produção Agropecuária (VPA) de R$ 75,1 bilhões. Esse montante representa um crescimento notável de 15,8% em relação ao ano anterior, 2024, conforme dados da Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina, divulgada pela Epagri. A relevância do agronegócio para o estado vai além dos limites territoriais, sendo responsável por 70% de todas as exportações de Santa Catarina no mesmo período, totalizando US$ 8,4 bilhões em vendas internacionais. Além do impacto financeiro, o setor é um grande gerador de empregos, sustentando cerca de 1,6 milhão de postos de trabalho, o que corresponde a 36% da força de trabalho do estado. Esses indicadores não apenas demonstram a pujança do agronegócio catarinense, mas também sublinham a sua capacidade de se reinventar e crescer, com a inovação tecnológica servindo como um catalisador fundamental.

O ecossistema agtech catarinense: um celeiro de soluções

A ascensão desses impressionantes números é indissociável de um ecossistema tecnológico vibrante que floresce nas propriedades rurais de Santa Catarina. Atualmente, o estado abriga 85 agtechs – startups especializadas em soluções para o agronegócio. Esse número representa 5% de todas as startups do setor no Brasil, posicionando Santa Catarina como a sétima maior concentração de agtechs do país. Dessas, 47 estão ativamente conectadas à vertical Agtech da Associação Catarinense de Tecnologia (Acate), uma iniciativa crucial que fomenta a integração e colaboração entre essas empresas inovadoras, cooperativas, agroindústrias e instituições de pesquisa e extensão, como a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri). A predominância de soluções baseadas em software, plataformas e aplicativos é notável, respondendo por 42% do desenvolvimento dessas agtechs, o que garante ao estado a quarta posição nacional nesse segmento estratégico.

Valder Zacarkim, diretor da vertical Agtech da Acate, é uma figura central na construção desse nicho tecnológico. Ele ressalta que a inovação não busca substituir a vasta experiência do produtor rural, mas sim enriquecê-la e expandir seu alcance. A tecnologia atua como uma ferramenta de empoderamento, fornecendo subsídios para que o conhecimento acumulado ao longo de gerações possa ser aplicado de forma ainda mais eficaz e otimizada, com base em informações precisas e atualizadas.

Da intuição ao dado: a revolução na tomada de decisão

A mudança de paradigma que a tecnologia introduziu no campo é profunda. Zacarkim destaca o contraste com o passado: "Produzir há 10, 15 anos atrás era tudo no olhômetro. O olho do dono é que engordava o gado, o calendário era fixo, não havia sensores, conectividade nem histórico de dados para embasar decisões." Essa abordagem, embora baseada em conhecimento empírico valioso, tinha limitações inerentes. Hoje, a realidade é outra: "Temos conectividade dentro da propriedade rural. O que era feito na mão, como contagem, pesagem e identificação de animais, hoje é automatizado." Essa automação não marginalizou o produtor; pelo contrário, colocou-o no centro de um universo de informações que antes eram inacessíveis. Os sistemas inteligentes analisam padrões, preveem cenários e sugerem as melhores ações, transformando a observação em decisão acionável.

Essa nova realidade concede ao agricultor um controle sem precedentes sobre suas operações. Na visão de Zacarkim, "O olho do dono não foi substituído: ele ganhou um superpoder na palma da mão, com informações da propriedade em tempo real para decidir melhor todos os dias." Esse superpoder se traduz em maior capacidade de resposta a mudanças climáticas, identificação precoce de doenças em rebanhos ou lavouras, otimização de recursos como água e fertilizantes, e a possibilidade de ajustar estratégias de manejo quase instantaneamente. Como resultado, "Santa Catarina se tornou um celeiro da eficiência, buscando ganhos que, sem tecnologia, nem eram considerados possíveis," solidificando sua posição como um modelo de sucesso na integração de agricultura e inovação.

Ferramentas inteligentes: a diversidade da tecnologia no campo

A beleza da revolução tecnológica no agronegócio catarinense reside em sua adaptabilidade. Valder Zacarkim enfatiza que não existe uma solução tecnológica única e universal; em vez disso, "Cada cadeia produtiva desenvolveu sua própria camada de sensores e aplicativos, adaptada às suas necessidades específicas." Essa abordagem customizada é o que torna a tecnologia tão eficaz. Para a produção de maçãs, por exemplo, há sistemas que monitoram a umidade do solo, a temperatura ambiente e a incidência solar, alertando para o momento ideal de colheita ou a necessidade de proteção contra geadas. Na pecuária, sensores em brincos eletrônicos ou coleiras podem acompanhar a saúde, localização e comportamento dos animais individualmente.

O processo é sistemático: "Tudo começa no sensoriamento, que é a coleta de dados." Estes dados brutos são então "processados por aplicativos específicos," que traduzem números e métricas em insights compreensíveis. "A cadeia da maçã tem soluções para a maçã, a pecuária tem as suas, e assim por diante." Cada especialidade, seja a suinocultura, avicultura, viticultura ou a produção de grãos, carrega uma "inteligência própria," que é a base para empresas e startups criarem tecnologias que resolvem problemas pontuais e específicos, otimizando cada etapa da produção. Essa diversidade de soluções garante que os desafios únicos de cada segmento do agronegócio recebam uma resposta tecnológica à altura.

O verdadeiro valor desses sistemas tecnológicos emerge quando os dados transcendem a mera informação e se convertem em decisões estratégicas. "Os dados transformam observação em decisão." Na pecuária, por exemplo, o monitoramento de dados de bem-estar animal pode indicar "o melhor horário de alimentar, a temperatura ideal da água e do ambiente." Um animal monitorado oferece informações que "melhoram significativamente sua acomodação e seu desempenho," resultando em rebanhos mais saudáveis e produtivos. Na agricultura, a lógica é a mesma: "dados de incidência solar, por exemplo, ajudam a proteger a produtividade da safra," permitindo ajustes na irrigação, sombreamento ou aplicação de defensivos, minimizando perdas e maximizando os rendimentos de forma sustentável.

Conectividade: o maior desafio para a expansão tecnológica

Apesar dos avanços e dos ganhos comprovados, a plena adoção dessas ferramentas tecnológicas no campo ainda enfrenta uma barreira fundamental: a conectividade. Valder Zacarkim destaca esse ponto crítico: "A conectividade ainda é um desafio importante: ter WhatsApp funcionando na sede não significa ter sinal cobrindo a lavoura ou o galpão para os sensores conversarem." A ausência de um sinal de internet estável e abrangente em áreas remotas compromete a essência da tecnologia agrícola moderna, que depende da transmissão de dados em tempo real para funcionar plenamente. Sensores instalados no campo tornam-se inúteis se não conseguem enviar as informações coletadas para as plataformas de análise, atrasando ou inviabilizando a tomada de decisão ágil.

Dados nacionais reforçam a dimensão desse obstáculo. De acordo com o Indicador de Conectividade Rural, uma iniciativa da associação ConectarAgro em parceria com o Ministério da Agricultura, apenas 37,4% dos imóveis rurais do Brasil possuem cobertura de sinal 4G ou 5G em toda a área utilizada para produção. Essa lacuna digital é um fator-chave para explicar por que, mesmo com a crescente disponibilidade de sensores e softwares avançados, uma grande parte das propriedades rurais ainda não consegue aproveitar o potencial máximo da agricultura 4.0. Superar essa barreira exige investimentos significativos em infraestrutura de telecomunicações, parcerias público-privadas e o desenvolvimento de soluções alternativas, como redes de baixa frequência ou internet via satélite, para garantir que o benefício da tecnologia chegue a cada canto do campo.

Inclusão digital no campo: o acesso para o pequeno produtor

Santa Catarina, com sua forte e enraizada tradição em agricultura familiar, representa um cenário onde a inclusão digital dos pequenos produtores é particularmente vital. Valder Zacarkim faz questão de abordar como esses agricultores, que muitas vezes não dispõem do mesmo volume financeiro das grandes propriedades, estão sendo integrados a essa transformação tecnológica. A chave reside no sistema de extensionismo rural, um modelo de apoio e disseminação de conhecimento que tem sido um diferencial no estado. Entidades como a Epagri e a Embrapa desempenham um papel crucial, atuando como pontes entre as inovações e as necessidades diárias dos pequenos agricultores.

Por meio de programas de capacitação, consultorias técnicas e a oferta de tecnologias adaptadas, essas instituições democratizam o acesso a ferramentas que, de outra forma, seriam inatingíveis para muitos. A Epagri, por exemplo, tem projetos de desenvolvimento e implementação de aplicativos e sensores de baixo custo, além de treinamentos práticos que ensinam o produtor a utilizar esses recursos para otimizar suas colheitas, manejar o rebanho e até mesmo gerenciar a propriedade. Essa abordagem garante que a inovação não seja um privilégio de poucos, mas uma ferramenta acessível que contribui para a sustentabilidade e competitividade da agricultura familiar catarinense, que é a espinha dorsal da produção de alimentos no estado.

A transformação digital no agronegócio catarinense é uma realidade inspiradora, impulsionada pela inovação e pela resiliência de seus produtores. Apesar dos desafios de conectividade, o estado se destaca como um celeiro de eficiência, onde a tecnologia empodera o agricultor e otimiza a produção de forma sem precedentes. Quer ficar por dentro das últimas notícias, análises aprofundadas e histórias de sucesso que moldam o futuro de São José e região? Continue navegando no São José Mil Grau e descubra um universo de informações essenciais para a sua comunidade!

Fonte: https://g1.globo.com

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