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O cenário político catarinense para as eleições de 2026 começa a se desenhar com o anúncio oficial da candidatura de Laís Chaud ao governo de Santa Catarina pelo partido Unidade Popular pelo Socialismo (UP). A confirmação ocorreu em convenção partidária nesta segunda-feira (20), no campus Trindade da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis, local que simboliza as raízes acadêmicas e ativistas da candidata. O lançamento da candidatura própria da UP marca a entrada de uma nova voz na disputa pelo executivo estadual, prometendo trazer para o debate pautas sociais e a valorização de movimentos populares.

O perfil da candidata Laís Chaud: Uma trajetória de luta

Laís Chaud, 35 anos, traz para a corrida eleitoral um perfil multifacetado e profundamente ligado às causas sociais. Graduada e com mestrado em Psicologia pela própria UFSC, ela atua como trabalhadora da saúde, uma área que lhe proporciona contato direto com as demandas e vulnerabilidades da população, especialmente em Florianópolis. Essa vivência profissional é crucial para a compreensão das políticas públicas e para a formulação de propostas que visem a melhoria da qualidade de vida dos catarinenses. Além disso, Chaud preside o diretório da UP na capital catarinense, demonstrando seu engajamento partidário e sua capacidade de articulação política em nível local.

Sua trajetória política é forjada desde o movimento estudantil, onde iniciou sua atuação dentro do Centro Acadêmico Livre de Psicologia (CALPSI) e como representante discente, defendendo os interesses da comunidade universitária e a democratização do acesso ao ensino. Atualmente, Laís Chaud é coordenadora nacional do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), uma organização que milita pela moradia digna e reforma urbana em todo o país, enfrentando os desafios da desigualdade social nas grandes cidades. Ela também se destaca na militância pela erradicação da violência contra as mulheres, sendo uma liderança ativa do Movimento de Mulheres Olga Benario, que combate o machismo e promove a igualdade de gênero e o empoderamento feminino.

Em seu discurso de lançamento, Laís Chaud ressaltou o papel central das mulheres em sua plataforma de governo. 'As trabalhadoras em Santa Catarina vão encontrar na nossa candidatura não só a força para lutar contra a violência, mas para decidir sobre a economia do estado, as políticas para suas vidas. As mulheres serão poder', afirmou. Essa declaração sublinha o compromisso da candidata em transformar a participação feminina de mero eleitorado em protagonista das decisões políticas e econômicas, defendendo uma gestão que priorize as necessidades e a autonomia das mulheres catarinenses em diversas frentes, desde a segurança pública e o combate à violência até o desenvolvimento socioeconômico e a inserção no mercado de trabalho.

O partido Unidade Popular (UP): Contexto e propostas

O Unidade Popular pelo Socialismo (UP), partido de esquerda oficializado em 2019, defende os interesses de trabalhadores e minorias, propondo um projeto socialista para o Brasil. Sua base e presença têm crescido em diversos estados, consolidando-se como uma opção para setores da população que buscam uma alternativa mais radical às políticas tradicionais. Em Santa Catarina, a decisão da UP de concorrer sozinha nas eleições de 2026, sem alianças com outras legendas, reflete sua autonomia ideológica e a crença na força de suas próprias propostas e quadros. Embora desafiadora para partidos menores, essa estratégia visa apresentar uma alternativa clara e distinta aos eleitores, sem concessões programáticas ou acordos que possam desvirtuar seus princípios.

A chapa completa: Força feminina para as eleições de 2026

A chapa majoritária de Laís Chaud ganha representatividade com Nathália Tarses Gomes de Melo, 34 anos, como vice-governadora. Diarista e profissional da limpeza, Nathália representa uma significativa parcela da força de trabalho catarinense, muitas vezes invisibilizada e com suas demandas negligenciadas. Sua atuação como coordenadora da Frente Negra Revolucionária (FNR) e na direção da UP em Florianópolis complementa o perfil de Laís, reforçando o compromisso da candidatura com a diversidade, a luta antirracista e a valorização das profissões essenciais. A combinação destas duas mulheres na chapa majoritária sinaliza a intenção de promover inclusão e dar visibilidade a pautas sociais urgentes, abordando questões de gênero, raça e classe de forma interconectada.

Para as vagas do Senado Federal, o Unidade Popular também aposta na força feminina, lançando Ana Lúcia da Silveira e Marlenne Soccas. A presença dessas duas candidatas ao lado de Laís e Nathália solidifica uma proposta eleitoral que busca o protagonismo da mulher na política catarinense em todos os níveis. Esta configuração da chapa, majoritariamente feminina, é um ponto de destaque e pode ressoar com eleitores que anseiam por uma renovação e por novas perspectivas na representação política de Santa Catarina, desafiando estruturas tradicionais e a sub-representação feminina em espaços de poder. A proposta é clara: oferecer uma plataforma de governo e representação que reflita a diversidade da população catarinense.

O caminho até 2026: Calendário eleitoral e desafios

Com o lançamento das candidaturas, a UP dá o primeiro passo em um cronograma eleitoral intenso. As convenções partidárias, onde os filiados escolhem e aprovam seus representantes, têm prazo final em 5 de agosto. Os nomes dos candidatos devem ser registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 15 de agosto, e a campanha eleitoral inicia no dia seguinte. As eleições de 2026 serão abrangentes, com votos para presidente, governador, duas vagas ao Senado, deputado federal e deputado estadual, configurando um cenário complexo para o eleitorado catarinense, que terá múltiplas escolhas para definir o futuro político do estado e do país.

A decisão da Unidade Popular de concorrer sem coligações em Santa Catarina apresenta um desafio significativo. Embora partidos menores enfrentem obstáculos como menor tempo de mídia e recursos limitados, essa abordagem permite que a UP mantenha sua identidade ideológica intacta, apresentando uma mensagem consistente e sem diluições que podem surgir de negociações de coalizão. Para Laís Chaud e sua chapa, o foco estará em uma campanha 'grassroots', intensificando a mobilização em comunidades, bairros e redes sociais para alcançar diretamente os eleitores e transmitir suas propostas de forma autêntica, buscando construir uma base de apoio popular sólida e engajada.

A candidatura de Laís Chaud pelo UP ao governo de Santa Catarina, com uma chapa majoritariamente feminina e de forte ligação com os movimentos sociais, emerge como uma proposta diferenciada no cenário político de 2026. Ela representa não apenas a busca por um novo modelo de gestão para o estado, mas também a afirmação de vozes e pautas que historicamente têm menos espaço na política tradicional. Acompanhar a evolução desta campanha será fundamental para entender as dinâmicas e as expectativas do eleitorado catarinense, que terá a oportunidade de avaliar uma alternativa que prioriza a participação popular e as demandas das classes trabalhadoras e das mulheres, buscando um desenvolvimento mais inclusivo e justo para Santa Catarina.

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Fonte: https://g1.globo.com

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