A cidade de São José, em Santa Catarina, celebra mais uma vez a notável trajetória de Júlia Pereira Marcelino, uma atleta que transcende os limites do esporte para se tornar um verdadeiro ícone de perseverança e excelência. Aos 27 anos, Júlia, integrante do renomado Time São José, não é apenas uma competidora no PARAJASC 2026; ela é a materialização de mais de uma década de dedicação à bocha paralímpica, modalidade na qual já acumula um currículo invejável, com títulos estaduais, medalhas em nível nacional e internacional, e até mesmo uma passagem pela cobiçada Seleção Brasileira. Sua participação nos Jogos Abertos Paradesportivos de Santa Catarina, que acontecem em Chapecó, já começou com um resultado positivo, reafirmando sua posição de destaque no cenário paradesportivo do estado.
A estreia vitoriosa no PARAJASC 2026 em Chapecó
Os 19º Jogos Abertos Paradesportivos de Santa Catarina (PARAJASC), sediados em Chapecó, são um palco de grande importância para o paradesporto catarinense, reunindo atletas de diversas modalidades e categorias. Foi neste cenário que Júlia Pereira Marcelino iniciou sua jornada em 2026, competindo na desafiadora classe BC3 Feminino da bocha paralímpica. Demonstrando a experiência e a precisão que a caracterizam, na última quarta-feira, 19 de junho, Júlia enfrentou e venceu Liandra Renken Trautmann Lima, representante de Joinville, com um placar de 4 a 2. Esta vitória não apenas marcou um início promissor na competição, mas também serviu como um testemunho da sua preparação e foco para mais um desafio de alto nível.
Compreendendo a Bocha Paralímpica – Classe BC3
Para aqueles que não estão familiarizados com a bocha paralímpica, a classe BC3 apresenta particularidades que a tornam uma das mais estratégicas e tecnicamente exigentes. Nesta categoria, os atletas possuem limitações motoras severas que os impedem de arremessar a bola com as próprias mãos. Para superar essa barreira, utilizam uma rampa ou calha, equipamento essencial que é manuseado por um operador de rampa. É crucial entender que, embora o operador seja responsável pela execução física do movimento, todas as decisões estratégicas — a direção da rampa, a força do arremesso, o momento da jogada — partem exclusivamente do atleta. Essa dinâmica exige uma comunicação perfeita, uma leitura apurada do jogo e uma capacidade de antecipação que diferencia os grandes competidores, como Júlia, onde precisão e concentração são vitais para o sucesso.
Uma trajetória construída com dedicação e excelência
A jornada de Júlia no paradesporto é um reflexo de anos de empenho. Sua ligação com a bocha paralímpica remonta à adolescência, com registros da Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE) já evidenciando sua participação ativa em competições pela instituição e por São José desde 2014. Essa base sólida foi fundamental para as conquistas que viriam a seguir, moldando não apenas uma atleta, mas uma pessoa com resiliência inabalável.
O reconhecimento internacional e a Seleção Brasileira
Em 2017, aos 18 anos, Júlia alcançou um marco significativo em sua carreira ao ser convocada para a Seleção Brasileira Juvenil. Representando o país nos Jogos Parapan-Americanos de Jovens, em São Paulo, ela demonstrou seu talento ao conquistar a medalha de bronze na classe BC3. O reconhecimento de seu potencial não parou por aí; no mesmo período, a equipe de bocha paralímpica da FCEE, da qual Júlia fazia parte, foi agraciada com o Troféu Guga Kuerten de Excelência no Esporte, na categoria Melhor Equipe Paradesportiva, um prêmio que reflete o trabalho coletivo e individual de alto nível. No ano seguinte, a atleta josefense novamente vestiu a camisa da Seleção Brasileira, desta vez no BISFed São Paulo Regional Open, um evento de prestígio internacional que reuniu atletas de oito países. Ao lado de Mateus Carvalho e Evelyn de Oliveira, ela integrou a equipe brasileira dos Pares BC3 que conquistou a cobiçada medalha de ouro, superando o Canadá e o Chile. Esse desempenho abriu portas e, em 2019, Júlia foi contemplada pelo Programa Bolsa Atleta do Governo Federal, um reconhecimento formal de seu status como atleta de elite.
Consistência nos pódios estaduais e nacionais
A história de sucesso de Júlia também tem capítulos marcantes no próprio PARAJASC. Em 2021, ela brilhou ao conquistar a medalha de ouro na classe BC3, contribuindo significativamente para o vice-campeonato geral da modalidade pela equipe de bocha da FCEE. A busca por excelência continuou em 2022, quando ela garantiu a medalha de prata no Circuito Catarinense de Bocha Paralímpica, em etapa realizada em Itajaí, ao lado de sua operadora de rampa, Maria Pereira Marcelino. Em 2023, sua ambição a levou ao Campeonato Brasileiro de Bocha Paralímpica, em Fortaleza, onde alcançou as quartas de final da BC3, um resultado expressivo em nível nacional. Mais recentemente, em 2025, Júlia voltou a defender as cores da FCEE/São José na ParaCopa Sesc, em Itajaí, onde conquistou mais uma medalha de prata na BC3 Feminino, solidificando sua posição como uma das atletas mais consistentes e vitoriosas da modalidade.
O orgulho de São José e a inspiração para o futuro
A presença de Júlia Pereira Marcelino em competições de alto nível é motivo de imenso orgulho para São José. O secretário municipal de Esportes e Lazer, Claiton Ribeiro, destaca a importância da atleta: “Ter uma atleta como a Júlia representando São José mostra a força e a importância do trabalho desenvolvido no paradesporto. Ela tem uma trajetória construída com muita dedicação, já vestiu a camisa da Seleção Brasileira e conquistou resultados importantes. Agora, está novamente defendendo nosso município e começando o PARAJASC com vitória. É motivo de muito orgulho para São José.” Essa visão é corroborada pelo secretário adjunto de Esporte e Lazer, Luciano Heck, que enfatiza o legado de Júlia: “Quando a gente olha para a trajetória da Júlia, percebe que não estamos falando apenas de uma atleta que está disputando mais um Parajasc. Estamos falando de uma competidora que há anos leva o nome de São José para diferentes competições e que já representou o Brasil. É uma história de muita perseverança e que serve de inspiração para outros atletas.”
O novo capítulo em Chapecó e a busca por mais pódios
Em 2026, com a vitória na estreia do PARAJASC em Chapecó, Júlia Pereira Marcelino começa a escrever mais um capítulo em sua rica história esportiva. Sua carreira, que abrange desde competições escolares até circuitos estaduais, campeonatos brasileiros e eventos internacionais, a credencia como uma forte candidata ao pódio. Integrante do Grupo A na BC3 Feminino, ao lado de atletas de Joinville, Itajaí e Lages, Júlia tem desafios significativos pela frente. As disputas da bocha paralímpica seguem intensas no FASUL Festas e Eventos, e a atleta josefense está focada nos demais compromissos da fase de grupos. Com a experiência de quem já subiu ao pódio em diversas ocasiões, Júlia carrega consigo não apenas medalhas e títulos, mas a expectativa e o apoio de todo o município de São José, buscando mais um grande feito e solidificando ainda mais seu lugar na história do paradesporto.
Acompanhar a jornada de Júlia Pereira Marcelino é testemunhar a resiliência e a paixão pelo esporte. Cada lançamento na rampa, cada estratégia traçada e cada vitória conquistada são um lembrete do poder do esporte em transformar vidas e inspirar comunidades. Não perca nenhum lance dessa história vitoriosa! Continue navegando no São José Mil Grau para ficar por dentro de todas as atualizações sobre Júlia e os demais talentos que representam nossa cidade com tanto orgulho e dedicação. Seu apoio é fundamental para nossos atletas!
Fonte: https://saojose.sc.gov.br