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O cenário político de Lages, na Serra catarinense, foi abalado recentemente por uma série de acontecimentos que culminaram na condenação e na tentativa de fuga do vice-prefeito Jair Junior. Na noite da última quinta-feira, 21 de maio de 2026, o então vice-prefeito, sem partido, sofreu um grave acidente na BR-116 enquanto tentava evadir-se do cumprimento de um mandado de prisão. A ordem judicial havia sido expedida horas após sua sentença por crimes graves. Este episódio é o ápice de uma trajetória marcada por polêmicas e desavenças desde que assumiu o cargo em 1º de janeiro de 2025, abrangendo acusações de violência doméstica, ameaças e vandalismo contra o patrimônio público.

A condenação e a perda do mandato

Em <b>21 de maio de 2026</b>, Jair Junior foi condenado a 10 anos e 11 meses de prisão por lesão corporal, cárcere privado, constrangimento ilegal e perseguição contra uma ex-namorada. Esta sentença, que sublinha a gravidade das condutas em contexto de violência doméstica, resultou também na automática perda de seu mandato como vice-prefeito de Lages. A medida visa restaurar a probidade e a confiança na administração pública. Embora seu advogado, Guilherme Ramos, tenha anunciado que irá recorrer da decisão, a legislação é clara quanto às implicações de sentenças judiciais avançadas para o exercício de cargos públicos.

A fuga dramática e o acidente na BR-116

A condenação levou à expedição de um mandado de prisão, desencadeando uma tentativa de fuga por Jair Junior. Na mesma noite do dia 21 de maio de 2026, ele tentou evadir-se das autoridades, colidindo frontalmente com um caminhão na BR-116 enquanto era perseguido por agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O grave acidente resultou em lesões severas para o vice-prefeito, que foi hospitalizado, adiando o cumprimento imediato do mandado. Sua internação, contudo, não altera a validade do mandado nem da condenação, apenas suspende sua efetivação até que ele tenha condições físicas de ser transferido ao sistema prisional.

A cronologia dos fatos: da posse às acusações

As múltiplas acusações de violência doméstica e perseguição

Em <b>22 de março de 2025</b>, Jair Junior foi preso em flagrante por violência doméstica contra uma ex-namorada, obtendo liberdade provisória após fiança. As denúncias do MPSC detalham incidentes graves: em <b>janeiro de 2025</b>, ele teria agredido a mulher por ela recusar publicar uma foto do casal. Em <b>março do mesmo ano</b>, as agressões escalaram quando ele a levou à força até sua residência, trancou-a, tentou acessar seu celular e, diante da recusa em fornecer a senha, teria desferido tapas e pressionado um travesseiro contra sua cabeça. Ela só foi liberada após prometer não registrar o ocorrido. Adicionalmente, em <b>23 de março de 2025</b>, outra ex-namorada, de 26 anos, registrou boletim de ocorrência, acusando-o de constantes ameaças e perseguição desde 2022, confirmando um padrão de comportamento problemático.

Desligamento partidário e processo de impeachment

Em <b>23 de março de 2025</b>, o vice-prefeito solicitou afastamento para defesa. Em <b>31 de março de 2025</b>, a Câmara de Vereadores de Lages aprovou a abertura de impeachment, que foi suspenso por liminar em <b>2 de abril de 2025</b> e declarado nulo pelo Judiciário em <b>11 de julho de 2025</b>, por ser aplicável apenas a prefeitos. Em <b>16 de abril de 2025</b>, o MPSC divulgou que Jair Junior se tornara réu, e em <b>22 de abril de 2025</b>, ele foi desligado do Podemos por unanimidade, devido às suspeitas de violência doméstica.

Desavenças com a prefeita e o caso dos pregos

As controvérsias estenderam-se à gestão: em <b>maio de 2025</b>, Jair Junior foi investigado por dano ao patrimônio público, acusado de fixar um prego no pneu do carro oficial da prefeita Carmen Zanotto. O MPSC formalizou a denúncia em <b>janeiro de 2026</b>, alegando intencionalidade e revelando tensões internas na administração.

Implicações políticas e a linha sucessória em Lages

Com a condenação e a perda do mandato, o cargo de vice-prefeito de Lages torna-se vago, sem substituição automática conforme o especialista Paulo Fretta Moreira, o que pode gerar instabilidade. Em caso de ausência da prefeita Carmen Zanotto, a linha sucessória será ocupada pelo presidente da Câmara de Vereadores, Maurício Batalha Machado (Podemos), garantindo a continuidade administrativa, mas destacando a excepcionalidade da situação devido a questões criminais.

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Fonte: https://g1.globo.com

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