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O setor avícola de Santa Catarina, um dos pilares da economia do estado e uma referência global em produção, encontra-se sob atenção redobrada após a confirmação, pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), de um foco da Doença de Newcastle em uma granja comercial de perus no município de Nova Itaberaba, no Oeste catarinense. A notícia, confirmada em investigação epidemiológica conduzida pelo Serviço Veterinário Oficial, acende um alerta sanitário, mas é acompanhada de veementes garantias sobre a segurança do consumo de produtos avícolas inspecionados.

A detecção do vírus, embora sem manifestação clínica generalizada nos animais confinados na granja inicialmente afetada, desencadeou imediatamente os protocolos de contenção e erradicação estabelecidos pelo Plano de Contingência para Doença de Newcastle e Influenza Aviária do Brasil. A medida visa proteger não apenas a saúde animal local, mas também a integridade do status sanitário do país junto aos parceiros comerciais internacionais, reforçando o compromisso com a vigilância e a rápida resposta a ameaças epidemiológicas.

Compreendendo a doença de Newcastle: causas e impacto

A Doença de Newcastle é uma enfermidade viral altamente contagiosa que afeta diversas espécies de aves, tanto domésticas quanto silvestres. Causada pelo paramixovírus aviário do sorotipo 1 (APMV-1), ela representa uma das maiores preocupações sanitárias para a avicultura mundial devido à sua rápida disseminação e aos severos impactos econômicos que pode causar. Sua inclusão na lista de doenças de notificação obrigatória à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) sublinha a seriedade com que é tratada globalmente.

Transmissão e sobrevivência do vírus

A principal via de transmissão do vírus de Newcastle é o contato direto entre aves doentes ou contaminadas. No entanto, o patógeno é extremamente resiliente e pode se espalhar indiretamente de diversas formas. As fezes de aves infectadas são uma fonte rica do vírus, contaminando o ambiente, a água e a comida. Além disso, equipamentos de granja, veículos de transporte, roupas e calçados de humanos que tiveram contato com animais doentes podem atuar como vetores mecânicos. A capacidade do vírus de sobreviver por semanas no ambiente, especialmente em condições de frio, potencializa o risco de surtos e dificulta o controle.

A rapidez da infecção é notável: em um grupo suscetível, todas as aves podem ser infectadas em um período de dois a seis dias após a exposição. Este curto período de incubação e a alta contagiosidade exigem uma resposta sanitária imediata e rigorosa para evitar a propagação em larga escala, especialmente em regiões com alta densidade de granjas.

Sintomas e diagnóstico em aves

Os sinais clínicos da Doença de Newcastle variam em intensidade dependendo da cepa do vírus e da espécie e idade da ave. Contudo, alguns sintomas são classicamente associados à enfermidade: dificuldades respiratórias, como ofegação, tosse e espirros; sinais neurológicos, que incluem tremores, paralisia das asas e pernas, torcicolo e espasmos; e manifestações digestivas, como diarreia. Em aves poedeiras, a doença pode levar a uma drástica queda na produção de ovos, além de causar alterações na cor e forma das cascas. A mortalidade súbita também é um indicador preocupante da presença da doença. O diagnóstico definitivo, crucial para a adoção das medidas de controle adequadas, é realizado através de exames laboratoriais específicos que identificam a presença do vírus.

Risco para humanos e segurança alimentar

É fundamental esclarecer que a Doença de Newcastle representa um risco mínimo para a saúde humana. A transmissão para pessoas, quando ocorre, é exclusivamente por contato direto com aves infectadas ou suas secreções, e não pelo consumo de carne ou ovos. Os sintomas em humanos são geralmente leves e autolimitados, limitando-se a uma conjuntivite leve (inflamação da membrana que reveste o olho), sem maiores complicações.

Ainda mais importante é a garantia da segurança alimentar. Tanto o MAPA quanto a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) e as entidades representativas do setor avícola (ABPA, ACAV, Sindicarne-SC) são categóricos ao afirmar que o consumo de produtos avícolas – carne de aves e ovos – provenientes de estabelecimentos submetidos à inspeção oficial permanece seguro e sem contraindicações. A detecção do foco em Nova Itaberaba é uma questão de sanidade animal, restrita ao ambiente produtivo, e não de segurança dos alimentos.

Os consumidores podem identificar produtos seguros pela presença dos selos de inspeção sanitária nas embalagens: o SIM (Serviço de Inspeção Municipal), o SIE (Serviço de Inspeção Estadual) ou o SIF (Serviço de Inspeção Federal). Estes selos são a garantia de que o produto foi processado sob rigorosos padrões de higiene e controle sanitário, atestando sua aptidão para o consumo humano.

A resposta em Santa Catarina: ações de contenção e vigilância

Diante da confirmação do foco, a granja em Nova Itaberaba foi prontamente interditada pelo Serviço Veterinário Oficial, e a movimentação de aves foi suspensa para evitar qualquer chance de disseminação. Um plano de ação detalhado foi iniciado para a eliminação do foco, que inclui a eutanásia dos animais e a desinfecção rigorosa das instalações, conforme as diretrizes do Plano de Contingência nacional. Adicionalmente, estabelecimentos avícolas vizinhos e da região estão sendo submetidos a monitoramento intensivo e análises para garantir que o vírus não tenha se espalhado.

A ocorrência será notificada à OMSA e aos parceiros comerciais do Brasil, um passo fundamental para manter a transparência e a confiança nas relações comerciais internacionais. A rápida e eficaz resposta a esse tipo de evento é crucial para preservar o status de 'país livre de doenças' para exportação, que o Brasil conquistou com grande esforço e que é vital para a sua balança comercial. A colaboração entre órgãos governamentais, produtores e associações setoriais é essencial para o sucesso das medidas de controle e erradicação.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a Associação Catarinense de Avicultura (ACAV) e o Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Estado de Santa Catarina (Sindicarne-SC) emitiram um comunicado conjunto, reforçando que a ocorrência, embora séria, não apresenta manifestação clínica generalizada, significando que o vírus foi detectado, mas a doença não se alastrou de forma grave nos animais confinados. Este detalhe é importante para diferenciar a detecção do patógeno de um surto de doença ativa, o que pode influenciar a percepção de risco e a eficácia das medidas de contenção.

Perspectivas e a importância da biosegurança

O episódio em Santa Catarina serve como um lembrete contundente da constante vigilância necessária na avicultura. A biosegurança nas granjas é a primeira e mais importante linha de defesa contra doenças como a de Newcastle e a Influenza Aviária. Medidas como controle rigoroso de acesso de pessoas e veículos, desinfecção de equipamentos, higiene dos trabalhadores, manejo adequado de resíduos e a segregação de aves doentes são pilares para a prevenção de surtos.

A agilidade na resposta e a transparência na comunicação são cruciais para proteger a reputação do setor avícola brasileiro, que é um dos maiores exportadores de carne de frango do mundo. A experiência adquirida em eventos passados e a estrutura robusta do Serviço Veterinário Oficial do Brasil são ativos valiosos para enfrentar esses desafios e garantir a continuidade da produção de alimentos seguros e de qualidade.

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Fonte: https://g1.globo.com

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