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Em um cenário cada vez mais dominado pelo streaming e pela digitalização do entretenimento, a notícia de uma doação massiva de <b>10 mil DVDs</b> em Xanxerê, no Oeste de Santa Catarina, reacendeu a paixão pela mídia física e mobilizou cinéfilos de diversos cantos do Brasil. O acervo, que representa três décadas de história da Mania Vídeo, uma das maiores videolocadoras que já existiram no estado, é agora o objeto de desejo de entusiastas que veem nos discos uma forma de preservar não apenas filmes, mas uma parte da cultura cinematográfica e da memória afetiva de uma era.

O legado da Mania Vídeo: três décadas de história e o fim de uma era

A história da Mania Vídeo é um testemunho da efervescência cultural das videolocadoras no Brasil. Fundada em 1982 pelo pai de Fábio Moschetta, a empresa começou modestamente em uma sala de apenas 10 metros quadrados. Ao longo dos anos, acompanhando o auge da locação de filmes, expandiu-se exponencialmente, chegando a ocupar um grandioso espaço de 368 metros quadrados. A Mania Vídeo não apenas oferecia um vasto catálogo de filmes em VHS e, posteriormente, em DVD, mas também se tornou um verdadeiro ponto de encontro social, um evento semanal para famílias e amigos escolherem a trilha sonora de seus momentos de lazer. Chegou a possuir filiais em cidades vizinhas do Oeste catarinense, consolidando-se como um ícone regional.

O encerramento das atividades em 2016, embora doloroso, foi um reflexo das transformações profundas no comportamento do consumidor de entretenimento. Conforme Moschetta, o advento da pirataria digital e a ascensão de novas formas de lazer, como os jogos de celular e o crescimento das redes sociais, foram os primeiros catalisadores para a diminuição do público nas locadoras, competindo diretamente pelo tempo e atenção das pessoas. Embora o streaming ainda não fosse o fator principal à época, essas mudanças já pavimentavam o caminho para a hegemonia das plataformas digitais que veríamos nos anos seguintes, marcando o fim de uma era dourada para o acesso à sétima arte em casa.

Desapego e curadoria: a motivação por trás da doação massiva

Após uma década com os DVDs guardados em um galpão de sua empresa de construção, Fábio Moschetta tomou a decisão de desapegar do vasto acervo. A motivação para essa iniciativa foi profundamente pessoal: a perda de um familiar o levou a uma reflexão sobre a importância de compartilhar e de valorizar o que realmente importa. Embora se desfaça da maioria dos discos, Moschetta fará uma cuidadosa curadoria de cerca de 2 mil a 2,5 mil filmes. Sua intenção é selecionar as obras que considera mais significativas, capazes de "formar o caráter de suas filhas", transmitindo não apenas o amor pelo cinema, mas também os valores e as histórias que marcaram gerações, mantendo viva uma herança cultural familiar.

A mobilização dos cinéfilos: um apelo pela mídia física e sua essência

O anúncio da doação nas redes sociais gerou uma onda de entusiasmo inesperado, confirmando que a mídia física ainda possui um lugar especial no coração de muitos. Fábio Moschetta relata ter recebido mensagens de interessados de diversas localidades, transcendendo as fronteiras de Santa Catarina. Pessoas de toda a região Oeste catarinense, do Rio Grande do Sul – com confirmações de vinda de Caxias do Sul –, do litoral catarinense, de Curitiba e até mesmo de São Paulo, expressaram o desejo de resgatar parte desse acervo. Essa mobilização em massa é um testemunho da nostalgia, mas também da percepção de valor intrínseco que colecionadores e amantes do cinema atribuem à posse física de uma obra.

Moschetta defende com veemência as vantagens do DVD em comparação com a efemeridade do streaming. Segundo ele, a mídia física confere um <b>"senso de urgência"</b>. Ao alugar ou comprar um filme, havia um compromisso implícito de assisti-lo. Essa decisão ativa contrastava com a prática atual das plataformas digitais, onde a vasta quantidade de opções muitas vezes leva à indecisão e ao abandono de filmes nos primeiros minutos, caso não captem imediatamente a atenção. Naquela época, a ida à videolocadora era um evento em si, uma experiência tátil e social que fortalecia a conexão com a obra e com a comunidade.

Outro ponto crucial levantado pelo empresário é a capacidade de <b>"compartilhamento"</b>. Um DVD ou VHS é um objeto tangível que pode ser emprestado a um amigo, criando laços e incentivando a troca cultural. Essa "dedicação", como ele descreve, é algo intrínseco à posse da mídia física, uma coisa que realmente é sua e que pode ser compartilhada sem as restrições de licenças ou assinaturas. É a materialização de uma paixão que transcende o mero consumo digital, tornando-se um artefato cultural com valor de troca e de memória afetiva. Entre seus favoritos, Moschetta cita o clássico "Os Miseráveis" (1998), com Liam Neeson, e o drama iraniano "Filhos do Paraíso", indicado ao Oscar, exemplificando a diversidade e profundidade do acervo.

Onde e quando retirar: detalhes da doação em Xanxerê

Para todos os interessados em mergulhar nesse tesouro cinematográfico, as doações serão realizadas nos dias <b>30 e 31 de maio</b>. O evento acontecerá em Xanxerê, no próprio local que abrigou a saudosa Mania Vídeo, situado na Avenida La Salle, número 229, no segundo andar. O horário de retirada será das 13h às 18h, oferecendo uma janela de oportunidade para que os cinéfilos possam reviver a experiência de explorar prateleiras repletas de histórias e, quem sabe, encontrar aquela joia perdida que complementará suas coleções pessoais.

A iniciativa de Fábio Moschetta é mais do que uma simples doação; é um gesto de generosidade que celebra a memória de uma era e a paixão duradoura pelo cinema. Para ficar por dentro de outras histórias inspiradoras, eventos culturais e notícias que movem a nossa região, continue navegando pelo São José Mil Grau e junte-se à nossa comunidade de leitores ávidos por informação de qualidade!

Fonte: https://g1.globo.com

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