Em um esforço contínuo para aprimorar o suporte oferecido a famílias em momentos de extrema vulnerabilidade, a Prefeitura de São José, por meio da Fundação Educacional de São José (Fundesj), realizou o segundo encontro de uma capacitação essencial para voluntários e colaboradores da Associação de Voluntários de Apoio e Assistência à Criança e ao Adolescente (Avos). A iniciativa visa a fortalecer o preparo emocional e técnico daqueles que dedicam seu tempo e energia ao atendimento de crianças, adolescentes e seus familiares no Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis. Este treinamento, um pilar fundamental para a sustentação emocional e eficácia do trabalho voluntário, aconteceu na Casa de Apoio Vovó Gertrudes, um espaço vital de acolhimento e suporte.
A complexa missão da Avos e a necessidade de apoio especializado
A Avos desempenha um papel inestimável no contexto da saúde infantil em Santa Catarina. Seus voluntários e funcionários estão na linha de frente do apoio a famílias que enfrentam o desafio avassalador de ter um filho hospitalizado. O Hospital Infantil Joana de Gusmão é uma referência estadual, atendendo casos de alta complexidade que demandam não apenas tratamento médico, mas também um suporte psicossocial robusto para pacientes e seus responsáveis. O cenário hospitalar, inerentemente carregado de incertezas, medos e dor, exige dos profissionais e voluntários uma capacidade excepcional de lidar com a fragilidade humana, oferecendo amparo sem se desgastar emocionalmente. É nesse ponto que a capacitação da Fundesj se mostra crucial, equipando esses anjos da guarda com as ferramentas necessárias para navegar por um ambiente tão delicado com resiliência e empatia.
Detalhes da capacitação: um mergulho na inteligência emocional e ética
A formação completa, estruturada em 12 horas divididas em quatro encontros mensais, é um investimento estratégico no capital humano da Avos. O segundo módulo, especificamente, foi um mergulho profundo em temas que são a espinha dorsal de qualquer interação humana de cuidado: empatia, inteligência emocional, respeito e responsabilidade ética. Conduzido pela renomada psicóloga e psicoterapeuta relacional sistêmica Luciana Gomes de Abreu, o encontro não se limitou à teoria. Luciana abordou a realidade complexa do trabalho voluntário, discutindo a capacidade inata dos indivíduos de enfrentar problemas que muitas vezes fogem ao seu controle e, principalmente, como manter o equilíbrio nesse processo. A discussão sobre responsabilidade ética, por exemplo, é vital para garantir que o auxílio prestado seja sempre profissional, respeitando os limites e a privacidade das famílias, evitando qualquer tipo de invasão ou julgamento.
Estratégias práticas para o bem-estar do voluntário
Um dos pontos altos do treinamento foi a apresentação de estratégias tangíveis para a regulação emocional e o autocuidado. A psicóloga Luciana Gomes de Abreu enfatizou a importância de técnicas simples, mas poderosas, como a respiração consciente e as 'micropausas' ao longo do dia. Essas ferramentas permitem que os voluntários e colaboradores percebam suas próprias emoções em tempo real e desenvolvam a capacidade de gerenciá-las, prevenindo o esgotamento. "A proposta foi criar um momento para que os próprios voluntários também pudessem olhar para si e refletir sobre a forma como desempenham as funções, de maneira que saiam aprimorados, e não exaustos", explicou Luciana, ressaltando o foco no bem-estar integral dos participantes. Este é um reconhecimento vital de que, para cuidar bem do outro, é fundamental que o cuidador também esteja cuidado.
A visão institucional: Fundesj e Avos em sintonia pelo cuidado
A superintendente da Fundesj, Maria Helena Krüger, articulou a profundidade do compromisso da Fundação com essa causa. Ela destacou que o trabalho da Avos, ao envolver famílias em situações tão delicadas, exige um preparo singular. "É uma atividade que exige das pessoas uma empatia, um respeito muito grande e também perceber os limites de cada um diante de uma realidade que, por vezes, é muito difícil, que é essa de estar atendendo as famílias de crianças e adolescentes", pontuou Krüger. Essa perspectiva sublinha a compreensão de que a capacitação não é um luxo, mas uma necessidade estratégica para garantir a qualidade do atendimento e a sustentabilidade emocional dos envolvidos.
Do lado da Avos, a presidente Zélia Rocha ecoou o entusiasmo e a gratidão pela iniciativa. Sua fala ressaltou a cultura de aprendizado contínuo que a instituição busca incutir em seus membros. "Nossos voluntários estão gostando, porque aprender nunca é demais. Aqui nós temos que ter amor, paciência, solidariedade, amizade, se entrelaçar entre nós e as famílias que chegam até nós", afirmou Zélia. As palavras da presidente não apenas validam a eficácia do treinamento, mas também pintam um quadro dos valores intrínsecos que norteiam o trabalho na Avos, onde a técnica se une intrinsecamente ao afeto e à humanidade.
Compromisso contínuo: capacitação pelo segundo ano e o impacto regional
É notável que esta seja a segunda edição consecutiva da capacitação, evidenciando um compromisso duradouro da Fundesj com o desenvolvimento social e a qualidade de vida da população. O primeiro encontro, em 3 de agosto, já havia abordado temas cruciais como comunicação e responsabilidade no trabalho voluntário, com ênfase em escuta ativa, regulação emocional e acolhimento sem julgamentos – habilidades que formam a base para qualquer interação eficaz e humanizada. Os próximos dois encontros, previstos para outubro e novembro, complementarão essa jornada de aprimoramento.
A superintendente da Fundesj reforçou a abrangência e a importância da Fundação ao declarar: "Capacitar as pessoas para melhorar a qualidade de vida da população é uma atribuição da Fundação. Neste caso, é um trabalho ligado ao Hospital Infantil, que atende todo o Estado". Essa afirmação contextualiza a iniciativa em uma missão mais ampla de impacto social, reconhecendo que o bem-estar dos voluntários e a qualidade do atendimento no Hospital Infantil Joana de Gusmão reverberam por toda Santa Catarina, alcançando inúmeras famílias que dependem desses serviços em seus momentos mais desafiadores. A capacitação da Fundesj, portanto, é mais do que um curso; é um investimento na capacidade de cuidar, na resiliência comunitária e na esperança de um futuro mais acolhedor para as crianças e adolescentes do estado.
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Fonte: https://saojose.sc.gov.br