Um crime brutal abalou a pacata cidade de Sangão, no Sul de Santa Catarina, com a confissão de José Gustavo Rabelo, de 21 anos, sobre o assassinato de sua namorada, Joviana Evelyn Iankovski, de apenas 19. A jovem estudante de Ciências Biológicas da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) foi encontrada morta na residência do próprio namorado, após um período de desaparecimento que alarmou sua família. Rabelo se entregou à Polícia Civil na última segunda-feira (10), confessando ter aplicado um golpe 'mata-leão' na vítima, um caso que está sendo investigado como feminicídio e reacende o debate sobre a urgência de combater a violência de gênero no Brasil.
A confissão, a investigação e a busca por justiça
José Gustavo Rabelo, após se entregar, detalhou às autoridades que o crime ocorreu durante uma discussão de casal, quando ele teria aplicado o golpe de estrangulamento 'mata-leão' em Joviana, resultando em seu óbito. O delegado Murilo da Cunha, responsável pelo caso, destacou à NSC TV a necessidade de aguardar os laudos da perícia forense para confirmar a versão do suspeito e a causa exata da morte. A investigação, que trata o caso como feminicídio – o assassinato de uma mulher devido à sua condição de gênero – visa compreender as circunstâncias completas do ocorrido e garantir que todas as provas sejam coletadas. Esta qualificação legal é crucial para reconhecer a motivação de gênero e buscar a devida punição para crimes dessa natureza.
O desaparecimento e a descoberta trágica
Joviana Evelyn Iankovski estava desaparecida desde a quinta-feira (6), data em que, segundo a mãe, havia informado que passaria a noite na casa do namorado. A desconfiança da família cresceu com a percepção de inconsistências nas mensagens de texto que supostamente vinham da jovem, levantando suspeitas de que não era ela quem estava digitando. A falta de informações claras por parte dos familiares do namorado levou a mãe de Joviana a registrar o desaparecimento e a relatar à polícia sua forte intuição de que a filha poderia estar morta. Essa ação foi determinante. A Polícia Militar foi até a residência de José Gustavo, em Sangão, onde fez a descoberta estarrecedora: o corpo de Joviana estava em um quarto trancado, envolto em cobertores. A Polícia Científica constatou ferimentos no rosto da vítima e estimou que ela já estava morta há cerca de dois dias, indicando que o crime pode ter ocorrido pouco após seu desaparecimento. Os exames periciais serão fundamentais para precisar a cronologia e a dinâmica da violência sofrida.
A vida de Joviana e a repercussão na Unesc
A perda de Joviana Evelyn Iankovski, aos 19 anos, representa a interrupção de uma trajetória promissora. Como ingressante no curso de Ciências Biológicas na Unesc no semestre 2026/2, ela tinha pela frente um futuro acadêmico e profissional em construção. A notícia de seu falecimento gerou grande comoção na comunidade universitária, que emitiu uma nota de profundo pesar. A Unesc, através de sua manifestação oficial, reforçou seu veemente posicionamento contra qualquer tipo de violência e reiterou seu compromisso com a promoção de uma sociedade pautada pelo respeito, dignidade e proteção à vida. Este trágico episódio serve como um lembrete doloroso da vulnerabilidade de mulheres jovens e da necessidade premente de um ambiente mais seguro, livre de todas as formas de agressão.
O combate ao feminicídio e iniciativas de acolhimento
O caso de Joviana se insere em um contexto mais amplo de violência contra a mulher, onde o feminicídio se manifesta como a forma mais extrema e fatal. O Brasil ainda enfrenta desafios imensos para erradicar esse tipo de crime, que muitas vezes é precedido por um histórico de agressões e abusos. Ações de conscientização e apoio são cruciais para quebrar o ciclo da violência. Reconhecendo essa urgência, a Unesc, por exemplo, lançou em maio de 2026 o programa 'Unesc Com Elas', uma iniciativa dedicada ao acolhimento, conscientização e combate à violência contra a mulher. O programa oferece suporte, prevenção e cuidado, demonstrando o papel vital das instituições na criação de redes de proteção e na mudança de paradigmas sociais que ainda permitem a perpetuação da violência de gênero.
Canais essenciais para denúncia e busca de ajuda em Santa Catarina
Diante da gravidade e da persistência da violência contra a mulher, é imprescindível que a população conheça e utilize os canais de denúncia e apoio disponíveis. A denúncia anônima ou identificada é uma ferramenta poderosa para intervir em situações de risco e salvar vidas. Em Santa Catarina, a Polícia Civil oferece um canal direto via WhatsApp, no número (48) 98844-0011, além da praticidade da Delegacia Virtual (delegaciavirtual.sc.gov.br) para registros de ocorrência. Para casos de violações de direitos humanos, o Disque 100 ou o número 182 são opções de abrangência nacional. Em situações de emergência iminente, a Polícia Militar deve ser acionada imediatamente pelo 190. A responsabilidade de combater a violência é de todos, e o conhecimento desses recursos é o primeiro passo para a ação.
A tragédia envolvendo Joviana Evelyn Iankovski em Sangão não é apenas uma notícia, mas um alerta contundente sobre a urgência de uma sociedade mais atenta e protetora. Enquanto a justiça segue seu curso, o caso reforça a importância inadiável de apoiar as vítimas e lutar contra todas as formas de violência de gênero. Seja parte da mudança: denuncie, acolha e promova o respeito. Para se manter sempre informado sobre os desdobramentos deste e de outros temas relevantes para a comunidade de Santa Catarina, continue navegando pelo São José Mil Grau. Sua leitura fortalece nosso compromisso com a informação de qualidade e o jornalismo que faz a diferença.
Fonte: https://g1.globo.com