simarik/ Getty Images
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta significativo sobre o aumento preocupante de reações adversas associadas ao uso de testosterona por mulheres. A medida regulatória vem em um momento de crescente popularidade do hormônio feminino, muitas vezes impulsionada por promessas de melhoria de libido, energia e composição corporal. Contudo, a Anvisa ressalta a necessidade crítica de uma avaliação médica individualizada antes de qualquer indicação, advertindo sobre os graves riscos que o uso indevido pode acarretar, especialmente ao coração e ao fígado. Este cenário exige uma compreensão aprofundada dos perigos e da forma correta de abordagem terapêutica, garantindo que a busca por bem-estar não se transforme em um risco à saúde.

O papel da testosterona no organismo feminino e o crescente interesse

Embora seja mais conhecida como um hormônio predominantemente masculino, a testosterona desempenha funções cruciais no corpo da mulher, atuando na manutenção da massa óssea e muscular, na libido, na energia e até mesmo no humor. Produzida em pequenas quantidades pelos ovários e glândulas adrenais, seus níveis variam ao longo da vida e são influenciados por fatores como idade, ciclo menstrual e condições de saúde. Recentemente, percebe-se um aumento na procura e no uso de terapias com testosterona por mulheres, muitas vezes motivado por sintomas inespecíficos como fadiga, baixa libido ou dificuldades para ganho de massa magra. Essa tendência, no entanto, nem sempre é acompanhada pelo rigor científico e pela supervisão médica adequada, o que acende um sinal de alerta entre as autoridades de saúde.

Quando a terapia de testosterona é realmente indicada?

A indicação da terapia com testosterona para mulheres é bastante restrita e deve ser feita com extrema cautela. Em casos específicos, como no transtorno de desejo sexual hipoativo (TDSH) em mulheres na pós-menopausa, e apenas quando outras causas foram excluídas e tratamentos convencionais falharam, o uso pode ser considerado. É fundamental que a decisão seja embasada em exames laboratoriais que comprovem deficiência hormonal e uma análise criteriosa do histórico clínico da paciente, sempre sob a orientação de um endocrinologista ou ginecologista. A automedicação ou a prescrição baseada apenas em queixas subjetivas, sem evidências clínicas e laboratoriais robustas, configura um risco inaceitável.

Os riscos alarmantes do uso indevido e a advertência da Anvisa

A Anvisa, como órgão regulador, tem monitorado o cenário de perto e a emissão do alerta reflete a preocupação com o aumento significativo de notificações de reações adversas. Essa elevação sugere não apenas um maior uso, mas também um uso inadequado do hormônio, que foge às recomendações de segurança e eficácia. As reações podem variar de leves a graves, comprometendo a qualidade de vida e, em casos extremos, colocando a vida em risco. A agência destaca que a ausência de produtos específicos para o tratamento de deficiência de testosterona em mulheres no Brasil, o que muitas vezes leva ao uso de formulações destinadas a homens ou de manipulados sem controle rigoroso, agrava ainda mais o problema.

Impactos cardiovasculares e hepáticos: os perigos ocultos

Os principais riscos apontados pela Anvisa, e corroborados pela literatura médica, são os danos ao sistema cardiovascular e ao fígado. O uso indiscriminado de testosterona pode aumentar o risco de eventos cardiovasculares, como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC), ao alterar os níveis de colesterol (diminuindo o HDL, conhecido como colesterol 'bom', e aumentando o LDL, o 'ruim'), elevar a pressão arterial e afetar a coagulação sanguínea. No fígado, o hormônio pode causar hepatotoxicidade, uma sobrecarga que compromete a função hepática, levando a lesões, inflamação e, em situações mais graves, ao desenvolvimento de tumores ou insuficiência hepática. Tais complicações reforçam a necessidade de vigilância e cautela extremas.

Outros efeitos colaterais e a virilização

Além dos riscos cardiovasculares e hepáticos, o uso indevido de testosterona em mulheres pode desencadear uma série de efeitos colaterais indesejáveis e, muitas vezes, irreversíveis, que são agrupados sob o termo 'virilização'. Entre eles, destacam-se o hirsutismo (crescimento excessivo de pelos em locais tipicamente masculinos, como rosto e tórax), o aprofundamento da voz, o aumento do clitóris (clitoromegalia), acne severa, queda de cabelo de padrão masculino e alterações menstruais. Em um nível psicológico, podem surgir irritabilidade, agressividade e alterações de humor. A reversibilidade desses efeitos varia, e muitos podem persistir mesmo após a interrupção do tratamento, causando significativo sofrimento físico e emocional.

A importância da avaliação médica individualizada

Diante de qualquer sintoma que sugira desequilíbrio hormonal ou que leve à consideração de uma terapia com testosterona, a avaliação médica individualizada é inegociável. Um profissional de saúde qualificado não apenas solicitará os exames laboratoriais necessários para medir os níveis hormonais, mas também realizará uma análise completa do histórico de saúde da paciente, incluindo doenças preexistentes, uso de outros medicamentos e estilo de vida. É fundamental que se investiguem outras causas para os sintomas, como deficiências nutricionais, estresse, problemas de tireoide ou condições psicológicas, antes de se aventurar em terapias hormonais que podem trazer mais malefícios do que benefícios. A decisão de prescrever testosterona deve ser um último recurso, pautada em evidências científicas e um acompanhamento rigoroso.

O contexto da saúde pública e a responsabilidade

A Anvisa, ao emitir este alerta, cumpre seu papel de proteger a saúde pública, desmistificando informações equivocadas e combatendo a automedicação ou o uso inadequado de substâncias que, embora hormônios naturais, exigem extremo controle. A crescente busca por soluções rápidas para questões complexas de saúde e estética tem impulsionado um mercado paralelo e, muitas vezes, informal de hormônios. É responsabilidade de todos – pacientes, médicos e veículos de comunicação – disseminar informações baseadas em ciência e bom senso, promovendo uma cultura de saúde consciente e segura. A pressão estética e a busca por performance não devem jamais sobrepor-se à segurança e à integridade da saúde individual.

A saúde é o nosso bem mais precioso, e a tomada de decisões informadas é o alicerce para uma vida plena e segura. O alerta da Anvisa serve como um lembrete crucial: não se deixe levar por modismos ou soluções milagrosas quando o assunto é sua saúde hormonal. Busque sempre a orientação de profissionais qualificados e questione a procedência e a necessidade de qualquer tratamento. Para mais informações sobre saúde, bem-estar e as últimas notícias que impactam a sua vida em São José e região, continue navegando no São José Mil Grau e mantenha-se sempre bem-informado!

Fonte: https://www.metropoles.com

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