Em um esforço contínuo para aprimorar o suporte oferecido a crianças e adolescentes em tratamento hospitalar, a Prefeitura de São José, por meio da Fundação Educacional de São José (Fundesj), iniciou um ciclo de capacitação intensiva para voluntários da Associação de Voluntários de Apoio e Assistência à Criança e ao Adolescente (Avos). O primeiro encontro dessa formação essencial ocorreu em 3 de junho, no auditório da Casa de Apoio Vovó Gertrudes, reunindo cerca de 60 dedicados voluntários que atuam no Hospital Infantil Joana de Gusmão. A iniciativa destaca o compromisso da gestão municipal e da sociedade civil organizada com a humanização do ambiente hospitalar e o bem-estar de pacientes e suas famílias, em um dos momentos mais vulneráveis de suas vidas. Esta parceria estratégica visa qualificar os voluntários para um acolhimento empático e eficaz, aprofundando sua compreensão sobre a complexidade emocional e social do adoecimento infantil.
A Força da Colaboração: Fundesj e Avos unidos pela causa
A parceria entre a Fundesj e a Avos representa um modelo exemplar de colaboração entre instituições públicas e organizações da sociedade civil. A Fundesj, braço educacional da Prefeitura de São José, desempenha um papel fundamental ao prover a estrutura e o conhecimento técnico para a qualificação desses voluntários. Maria Helena Krüger, superintendente da Fundesj, enfatizou a relevância dessa sinergia: “Essa parceria entre a Fundesj e a Avos objetiva qualificar a atuação dos voluntários para que eles se sintam cada vez mais preparados para acolher crianças e famílias nesse momento de grande vulnerabilidade”. Essa qualificação vai além do treinamento, buscando empoderar os voluntários com a confiança e as habilidades necessárias para lidar com situações emocionalmente desafiadoras, transformando cada interação em uma oportunidade de apoio e conforto.
A Avos, por sua vez, é uma instituição de valor inestimável para a comunidade de São José e região. Fundada em 1975, a Associação opera como uma entidade sem fins lucrativos, dedicada a oferecer suporte emocional e social a crianças e adolescentes que enfrentam o tratamento de doenças graves, estendendo esse apoio também aos seus acompanhantes. Desde 1979, a Avos mantém uma presença constante e vital no Hospital Infantil Joana de Gusmão, sendo um pilar de humanização dentro da instituição. Além de suas atividades hospitalares, a Avos também administra a Casa de Apoio Vovó Gertrudes, um refúgio acolhedor que oferece estadia e apoio a famílias durante o período de tratamento de seus filhos, aliviando parte do fardo logístico e financeiro e permitindo que se concentrem na recuperação da criança. Essa rede demonstra o compromisso holístico da Avos com a saúde e o bem-estar integral de seus assistidos.
Programa de Capacitação: Estrutura, Objetivos e o Primeiro Encontro
O programa de capacitação foi desenhado para ter uma carga horária total de 12 horas, distribuídas estrategicamente em quatro encontros mensais. Essa periodicidade permite uma imersão gradual e contínua nos temas abordados, favorecendo a reflexão e a aplicação prática do aprendizado. O primeiro encontro, realizado na Casa de Apoio Vovó Gertrudes, foi conduzido por Marla Sacco Martins, assistente social da Secretaria Municipal de Assistência Social. A dinâmica escolhida para iniciar a formação foi uma roda de conversa, um formato que estimula a troca de experiências e a construção coletiva do conhecimento, fundamental para um grupo que lida com a diversidade de situações humanas.
Pilares do Acolhimento Humanizado
Durante a roda de conversa, Marla Sacco Martins abordou pontos cruciais que sustentam o trabalho voluntário eficaz e empático. A responsabilidade inerente ao trabalho voluntário foi um dos focos, destacando que atuar como voluntário em um ambiente hospitalar exige não apenas boa vontade, mas também discernimento, ética e um profundo senso de compromisso com o próximo. A importância da comunicação acolhedora foi outro pilar, enfatizando como a forma de interagir com crianças, adolescentes e seus familiares pode influenciar significativamente sua experiência no hospital. Isso inclui a escuta ativa, a validação de sentimentos e a capacidade de transmitir conforto e esperança mesmo em circunstâncias adversas.
Os participantes foram incentivados a refletir sobre o papel vital que desempenham na humanização do ambiente hospitalar. Em um cenário onde a rotina médica pode ser fria e impessoal, o voluntário se torna um elo caloroso, alguém que enxerga a pessoa por trás da doença. Construir vínculos baseados na confiança, no respeito e na escuta ativa é essencial para isso, permitindo que as crianças e suas famílias se sintam mais seguras e compreendidas. Tópicos como regulação emocional foram amplamente discutidos, pois a capacidade do voluntário de gerir suas próprias emoções é crucial para oferecer um suporte estável. O preparo pessoal para o atendimento, que inclui a autoconsciência e o cuidado com a própria saúde mental, também foi salientado. Acima de tudo, a formação reforçou a importância de acolher crianças e familiares sem julgamentos, praticando a empatia irrestrita e o suporte incondicional.
O Foco na Infância e o Impacto no Bem-Estar Familiar
A assistente social Marla Sacco Martins aprofundou a discussão sobre como a doença de uma criança reverberara em todo o núcleo familiar, intensificando a necessidade de um atendimento sensível e humanizado. “Quando uma criança adoece, toda a família enfrenta os impactos da situação, tornando ainda mais importante um atendimento sensível e humanizado. Por isso, o voluntário precisa estar emocionalmente preparado para oferecer apoio. Lembrando que o foco deve permanecer na infância, e não na doença”, detalhou. Essa perspectiva é transformadora, pois direciona o voluntário a olhar além do diagnóstico e a se conectar com a essência da criança – seus interesses, brincadeiras, desenhos e sonhos. Ao fazer isso, o voluntário ajuda a preservar a leveza e a esperança, características inerentes à infância, mesmo em um contexto de adversidade hospitalar, transformando o tratamento em um período menos traumático e mais suportável.
A aplicação prática dessas orientações já foi sentida pelos voluntários. Tânia Romão, que há oito anos atua como voluntária da Avos nas alas de Queimados e Psiquiatria do Hospital Infantil Joana de Gusmão, expressou sua satisfação com o primeiro encontro. “A palestra foi muito além das minhas expectativas. Trouxe orientações muito claras e humanizadas sobre situações que vivemos no dia a dia do voluntariado. Também reforçou o quanto é importante estarmos bem para cuidar do outro e também compreender as nossas responsabilidades”, frisou Tânia. Seu depoimento sublinha a eficácia da capacitação em fornecer ferramentas concretas e insights profundos que repercutem diretamente na qualidade do atendimento e na resiliência dos próprios voluntários, que enfrentam realidades complexas diariamente.
Perspectivas Futuras e o Legado do Acolhimento Humanizado
A presidente da Avos, Zélia Rocha, manifestou seu profundo agradecimento à parceria com a Fundesj, reconhecendo o valor do investimento na formação de seus voluntários. “Foi um encontro muito enriquecedor, que trouxe reflexões importantes para quem atua diretamente com as nossas crianças e suas famílias. A expectativa é de que os próximos encontros ampliem ainda mais esse aprendizado e contribuam para um acolhimento cada vez mais humanizado”, afirmou. Essa visão otimista reflete o compromisso contínuo de ambas as instituições em elevar o padrão de cuidado e suporte oferecido. A continuidade desses encontros permitirá que os voluntários aprofundem suas habilidades, troquem experiências e se mantenham atualizados sobre as melhores práticas de acolhimento, garantindo que o Hospital Infantil Joana de Gusmão continue sendo um espaço de tratamento médico de excelência e, simultaneamente, um ambiente de apoio humanizado e esperança para a recuperação.
A iniciativa da Fundesj e da Avos é um lembrete poderoso de que o cuidado com a saúde vai muito além do aspecto puramente clínico. Envolve a empatia, a compreensão e a capacidade de enxergar o ser humano em sua integralidade. Ao investir na capacitação de seus voluntários, a Prefeitura de São José e a Avos não estão apenas aprimorando um serviço, mas cultivando uma cultura de compaixão e solidariedade que beneficia diretamente os mais vulneráveis. É um legado de humanidade que se constrói a cada sorriso, a cada brincadeira e a cada momento de escuta ativa dentro das paredes do hospital e na acolhedora Casa de Apoio Vovó Gertrudes.
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Fonte: https://saojose.sc.gov.br