A Prefeitura de São José, por meio da Fundação Municipal Educacional (Fundesj), promoveu recentemente no Centro de Atenção à Terceira Idade (Cati) uma palestra essencial para a população sênior da cidade. O encontro, intitulado “Mitos e Verdades sobre Alimentação e Nutrição”, teve como objetivo desmistificar conceitos equivocados e oferecer orientações baseadas em evidências científicas sobre alimentação e saúde para a longevidade. Temas como a demonização de carboidratos, o uso indiscriminado de suplementos, os perigos das dietas restritivas, e a crucial influência do sono e do estresse na saúde foram debatidos, ressaltando a importância de uma abordagem integral para o bem-estar na terceira idade.
Desvendando a complexidade da nutrição na terceira idade
Ministrada pela renomada nutricionista, professora universitária e mestre em Nutrição Adriana Salum, a palestra ofereceu uma perspectiva aprofundada, afastando-se de modismos e informações superficiais que proliferam, muitas vezes sem base científica, em diversas plataformas digitais. Salum enfatizou que uma alimentação verdadeiramente saudável transcende a mera seleção de alimentos. Ela abrange um complexo conjunto de hábitos, a rotina individual e, primordialmente, o equilíbrio emocional, que juntos moldam a qualidade de vida do idoso.
Um dos pontos cruciais abordados foi a injusta vilanização dos carboidratos. Frequentemente rotulados como inimigos da saúde e do peso, esses macronutrientes são, na verdade, a principal fonte de energia do corpo e essenciais para o bom funcionamento do cérebro e dos músculos. A nutricionista esclareceu que a chave reside na escolha de carboidratos complexos, como grãos integrais, frutas e vegetais, em detrimento dos refinados, que podem gerar picos de glicose e contribuir para problemas de saúde. Para os idosos, que necessitam de energia constante para manter a vitalidade e realizar atividades diárias, a ingestão adequada de carboidratos de qualidade é fundamental e não deve ser negligenciada.
O uso de suplementos também foi um tópico de grande relevância. Com o marketing agressivo de produtos que prometem soluções milagrosas, muitos idosos se sentem compelidos a consumir vitaminas, minerais e outros suplementos sem necessidade comprovada. Adriana Salum alertou que o uso indiscriminado pode não apenas ser ineficaz, mas também prejudicial, mascarando deficiências reais ou causando desequilíbrios. A orientação foi clara: suplementos devem ser utilizados exclusivamente sob prescrição e acompanhamento profissional, quando há uma carência nutricional diagnosticada, garantindo que a intervenção seja segura e adequada às necessidades individuais.
Outro mito combatido foram as dietas restritivas, como as que eliminam glúten ou lactose. Embora essenciais para indivíduos com doenças como a doença celíaca ou intolerância à lactose, essas restrições, quando adotadas sem indicação clínica, podem levar a deficiências nutricionais e à exclusão desnecessária de alimentos saudáveis e prazerosos. A palestrante destacou que a alimentação deve ser um ato de nutrição e prazer, não de privação desnecessária, e que a individualização é vital, respeitando a condição de saúde de cada pessoa.
O mosaico da longevidade: além do prato
A visão de Adriana Salum para a longevidade ativa e com qualidade de vida vai muito além da simples ingestão de alimentos. Ela defende que a alimentação é apenas um dos pilares, igualmente importante aos outros elementos que compõem o bem-estar geral. Entre eles, destacam-se a necessidade de um sono adequado, que impacta diretamente a regulação hormonal, a capacidade cognitiva e a saúde metabólica; o controle do estresse, um fator que pode levar a inflamações crônicas e exacerbar diversas condições de saúde; e a prática regular de atividade física, essencial para a manutenção da massa muscular, da densidade óssea e da mobilidade.
Além disso, a nutricionista pontuou a importância do uso correto das medicações prescritas, que muitas vezes é negligenciado ou mal compreendido, e a necessidade de cultivar uma relação equilibrada com a comida. Esta relação não deve ser pautada pela culpa ou pela ansiedade, mas sim pelo prazer e pela consciência de nutrir o corpo e a mente. Cada um desses componentes se interliga, formando um sistema complexo onde a disfunção em uma área pode afetar as demais, evidenciando a necessidade de uma abordagem verdadeiramente holística.
O envelhecimento traz consigo particularidades e necessidades nutricionais e de saúde específicas. Por isso, a orientação individualizada, defendida pela mestre em Nutrição, é inegociável. O que é benéfico para um idoso pode não ser para outro, dadas as diferenças em histórico de saúde, medicamentos em uso, nível de atividade física e até mesmo preferências culturais e sociais. Essa personalização do cuidado é o que permite que cada indivíduo encontre o caminho mais eficaz para uma longevidade plena e saudável, respeitando suas singularidades.
Respostas para o dia a dia: a voz dos participantes
A relevância do conteúdo foi comprovada pela acolhida dos participantes. A aposentada Sueli Vieira, de 76 anos, expressou sua satisfação com o evento. “Gostei muito. Aprendi sobre a minha alimentação, sobre a ansiedade que sinto no fim da tarde e até sobre mudanças que posso fazer nas refeições da manhã e da noite. Foi um aprendizado muito importante para esta fase da minha vida”, afirmou. O depoimento de Sueli ilustra como a palestra forneceu ferramentas práticas e aplicáveis, não apenas para a alimentação, mas também para o manejo de aspectos emocionais que impactam o bem-estar diário dos idosos.
Esse feedback positivo reforça o impacto direto que iniciativas como esta têm na vida da comunidade. Ao oferecer respostas claras para dúvidas cotidianas, o Cati, com o apoio da Fundesj, empodera os idosos a tomar decisões mais conscientes e a adotar hábitos que contribuam efetivamente para sua autonomia e qualidade de vida. A troca de experiências em um ambiente acolhedor e informativo é um catalisador para a adoção de mudanças saudáveis e duradouras.
O compromisso de São José com a longevidade ativa
A palestra no Cati não é um evento isolado, mas parte integrante do “Programa Longevidade Ativa”, uma iniciativa contínua da Prefeitura de São José. Este programa foi cuidadosamente desenhado para ser um pilar de suporte à população idosa do município. Ele prevê encontros quinzenais, proporcionando momentos regulares de informação, palestras educativas e a tão valorizada troca de experiências entre os participantes, fortalecendo laços sociais e incentivando a adoção de um estilo de vida mais ativo e saudável.
O objetivo primordial do programa é fomentar a autonomia dos idosos, garantindo que eles possuam as ferramentas e o conhecimento necessários para gerenciar sua própria saúde e bem-estar, mantendo-se ativos e engajados na sociedade. Em um cenário de crescente envelhecimento populacional no Brasil, a criação de políticas públicas e programas focados na prevenção e na promoção da saúde da terceira idade torna-se não apenas relevante, mas crucial para o desenvolvimento social e a qualidade de vida de toda a comunidade de São José. A Fundesj e o Cati, nesse contexto, atuam como pilares essenciais na construção de um futuro mais saudável e inclusivo para seus cidadãos mais experientes.
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Fonte: https://saojose.sc.gov.br