Redação PMSJ
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Nesta quinta-feira, 11 de abril, o Centro Educacional Municipal (CEM) São Luiz, localizado em São José, Santa Catarina, foi palco de uma imersão cultural vibrante e interativa. O espetáculo teatral “O Sumiço da Tainha de Ouro – Causos e Contos” arrebatou a atenção de centenas de estudantes, apresentando-lhes, de forma lúdica e envolvente, a rica tapeçaria das tradições catarinenses. A performance, marcada pela participação ativa da plateia infantil e pelo carisma de personagens icônicos do Boi de Mamão, transformou o ambiente escolar em um verdadeiro portal para o folclore e as lendas regionais, reforçando a importância da valorização da identidade cultural desde a infância.

O enredo envolvente: uma aventura cultural e interativa

Inspirada no livro homônimo, a peça “O Sumiço da Tainha de Ouro” transporta o público para uma charmosa vila catarinense, meticulosamente recriada no palco com elementos como uma casa típica, um banco de praça e redes de pesca, que servem como pano de fundo para a emocionante jornada. A trama central gira em torno de Moreninha, a destemida protagonista, que parte em busca de um precioso amuleto em formato de tainha, misteriosamente desaparecido. Este artefato não é apenas um objeto perdido, mas um elo com a tradição pesqueira e a simbologia da tainha, peixe emblemático da culinária e cultura local, especialmente na época da safra.

Durante sua aventura, Moreninha não está sozinha. Ela conta com a ajuda fundamental de personagens caricatos e coloridos do Boi de Mamão, uma das mais autênticas manifestações do folclore de Santa Catarina. A encenação é habilmente costurada com histórias, canções e lendas populares da região, convidando as crianças a interagirem constantemente, seja cantando junto, respondendo a perguntas ou ajudando a solucionar pequenos desafios propostos pelos atores-brincantes. Essa abordagem não apenas mantém o interesse dos pequenos, mas também os insere ativamente na narrativa, tornando-os coautores da experiência cultural.

A riqueza do Boi de Mamão em cena

O Boi de Mamão, que desempenha um papel crucial na peça, é uma manifestação cultural popular encontrada principalmente no litoral de Santa Catarina. Caracteriza-se por uma dança dramática que encena a morte e a ressurreição de um boi, acompanhada por figuras como a Maricota, o cavalinho, a bernunça, o urso e, claro, o médico e o curandeiro. A sua inclusão no espetáculo não é meramente decorativa; ela representa um elo vital com as raízes culturais do estado, apresentando às novas gerações uma forma de arte que transmite valores, crenças e a história de um povo, fomentando o orgulho e o reconhecimento da própria identidade cultural.

Resgatando as raízes: a cultura catarinense em cena

A proposta de “O Sumiço da Tainha de Ouro” transcende o entretenimento, funcionando como uma poderosa ferramenta pedagógica para a valorização da cultura local. Ao trazer para o palco elementos como o Boi de Mamão e a lenda da tainha, a peça mergulha nas particularidades de um estado rico em folclore, culinária e paisagens. A tainha, por exemplo, é mais do que um peixe; é um símbolo da economia, da gastronomia e do modo de vida dos pescadores artesanais de Santa Catarina, especialmente da Grande Florianópolis e São José, cujas tradições de pesca seculares são passadas de geração em geração. Abordar esses temas no contexto escolar permite que as crianças se conectem com suas origens, entendendo a história e as influências que moldaram a sociedade em que vivem.

Impacto na comunidade escolar: engajamento e aprendizado

A resposta dos estudantes ao espetáculo foi unânime e entusiasmada, demonstrando o poder do teatro como catalisador de emoções e aprendizado. Antonela Melo, de apenas 6 anos, compartilhou que seu momento favorito foi “quando eles cantaram a música e falaram os nomes das bruxas”, evidenciando a capacidade da música e da narrativa de capturar a imaginação infantil. Jade Dazil, de 7 anos, resumiu a experiência com um simples e sincero “Eu gostei de tudo. Foi muito divertido”, enquanto Pedro Henrique Alves, de 8 anos, destacou: “Adorei a música, a tainha e o cenário. Estava tudo muito legal”. Esses depoimentos reforçam como a combinação de elementos visuais, auditivos e interativos é fundamental para criar uma experiência educacional memorável e divertida para o público infantil.

Para além da diversão, o espetáculo estendeu seu valor pedagógico com a distribuição de material didático complementar. Os estudantes receberam atividades inspiradas na peça, incluindo desafios para ajudar Moreninha a encontrar a Tainha de Ouro, palavras cruzadas, brincadeiras com rima e propostas para criar novas histórias. Essa iniciativa visa prolongar o impacto da apresentação, incentivando a criatividade, o raciocínio lógico e a compreensão leitora, ao mesmo tempo em que aprofunda o conhecimento sobre os temas abordados no palco.

O papel pedagógico do CEM São Luiz

A diretora do CEM São Luiz, Juliane de Castro, expressou grande satisfação com a iniciativa, ressaltando o alinhamento do espetáculo com os projetos pedagógicos já existentes na instituição. “Aqui no CEM São Luiz já valorizamos muito o teatro com o projeto Hora do Conto. Quando recebemos essa proposta, ficamos muito felizes porque reúne cultura e aprendizagem. As crianças amaram a apresentação e tenho certeza de que será mais um incentivo para que elas também desenvolvam as próprias atividades artísticas”, afirmou a diretora. Essa fala sublinha a visão da escola em integrar a arte como um pilar fundamental no desenvolvimento integral dos alunos, reconhecendo o teatro não apenas como uma forma de entretenimento, mas como uma poderosa ferramenta para a expressão, a sensibilidade e o pensamento crítico.

Ampliando horizontes: o teatro como ferramenta de inclusão

A coordenadora do projeto e produtora do espetáculo, Raquel Stüpp, enfatizou a relevância de levar o teatro às escolas públicas, destacando o papel fundamental da iniciativa na ampliação do acesso à cultura. “Muitas vezes esse é o primeiro contato que elas têm com uma apresentação teatral. Então, estamos proporcionando experiências que talvez elas não tivessem em outro momento”, frisou Stüpp. Sua observação ressalta a importância de democratizar o acesso à arte, especialmente para crianças de comunidades que podem ter poucas oportunidades de vivenciar espetáculos teatrais. O teatro, neste contexto, transcende a mera apresentação, tornando-se uma janela para novas perspectivas, um estímulo à imaginação e um meio de enriquecimento cultural e social, contribuindo para a formação de cidadãos mais críticos e culturalmente conscientes.

Realização e apoio: fomentando a arte e a educação

A apresentação no CEM São Luiz é parte de uma série de sessões gratuitas que estão sendo realizadas pelo Coletivo Mar Cultural em parceria com o projeto Meu Boizinho. Essa colaboração entre diferentes entidades culturais é crucial para a viabilização e o sucesso de projetos dessa envergadura. O patrocínio do Grupo DVA, viabilizado por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, foi essencial para que o espetáculo pudesse chegar a um público tão amplo e diversificado, garantindo a gratuidade e a acessibilidade às crianças de escolas públicas. A sinergia entre cultura, educação e iniciativa privada, por meio de mecanismos de incentivo, demonstra um modelo eficaz de como a arte pode ser valorizada e difundida na sociedade.

Mecanismos de incentivo à cultura

A Lei Federal de Incentivo à Cultura, popularmente conhecida como Lei Rouanet, é um dos principais instrumentos de fomento à cultura no Brasil. Ela permite que empresas e pessoas físicas apliquem parte do seu Imposto de Renda devido em projetos culturais aprovados pelo Ministério da Cultura, incentivando assim o investimento privado na produção artística e cultural. Graças a esse mecanismo, espetáculos como “O Sumiço da Tainha de Ouro” podem ser realizados e oferecidos gratuitamente, alcançando públicos que, de outra forma, teriam dificuldade em acessar esse tipo de programação, cumprindo um papel social vital na democratização da cultura e na formação de novas plateias.

Próximas apresentações e a equipe por trás do espetáculo

O circuito de apresentações de “O Sumiço da Tainha de Ouro” continua, levando a magia do teatro e a riqueza da cultura catarinense a outras instituições. Nesta sexta-feira, 12 de abril, o espetáculo seguirá para o CEM Morar Bem, no bairro Serraria, com sessões programadas para as 9h15 e 10h30. No sábado, 13 de abril, às 10h, a peça chegará ao Educandário de Santa Catarina, em uma sessão especial aberta à comunidade escolar, reforçando o compromisso do projeto em envolver não apenas os alunos, mas também suas famílias e a comunidade em geral. A capilaridade das apresentações é um testemunho do empenho em maximizar o alcance cultural do projeto.

Por trás do sucesso e da magia do espetáculo, há uma equipe talentosa e dedicada, que incluiu Aline Maciel (dramaturgia e direção cênica), Lieza Neves (assistente de direção), Bianca Ramos e Carina Scheibe (atrizes-brincantes), além de um time completo responsável pelas canções originais, figurinos, adereços, cenários, bonecos, projeto gráfico, assessoria de imprensa e produção. A coordenação artística é do Coletivo Mar Cultural, que junto com o projeto Meu Boizinho, demonstra a força da colaboração para criar obras de arte que educam e inspiram.

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Fonte: https://saojose.sc.gov.br

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