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A paisagem social e econômica de Santa Catarina tem passado por transformações profundas ao longo das décadas. O Censo Demográfico do IBGE de 1950 revelava que impressionantes 76% da população catarinense residia em áreas rurais. Contudo, essa realidade foi drasticamente alterada, com o percentual despencando para 16% em 2010. Essa migração em massa, impulsionada principalmente pelas gerações mais jovens em busca de novas oportunidades e melhores condições de vida nos centros urbanos, gerou um desafio crescente para a sustentabilidade das propriedades familiares. O risco de descontinuidade dessas terras, muitas vezes cultivadas por gerações, é real e urgente, colocando o planejamento sucessório no centro das discussões sobre o futuro do agronegócio catarinense.

A dinâmica do êxodo rural em Santa Catarina: de 1950 aos dias atuais

O acentuado declínio da população rural em Santa Catarina, de 76% em 1950 para 16% em 2010, reflete uma tendência nacional e global de urbanização. Historicamente, essa movimentação foi catalisada por uma combinação de fatores econômicos, sociais e tecnológicos. A modernização do campo, embora fundamental para o aumento da produtividade, muitas vezes resultou na diminuição da necessidade de mão de obra, incentivando o deslocamento para as cidades. Paralelamente, a concentração fundiária, onde grandes propriedades absorviam as menores, expulsava pequenos produtores, que viam na vida urbana a chance de melhores salários e acesso a serviços públicos.

Raízes históricas e o cenário contemporâneo

A discussão sobre o êxodo rural no Brasil ganhou força entre as décadas de 70 e 80, período em que a busca por melhores condições de vida nas cidades se tornou um motor poderoso para a migração. Naquele tempo, a promessa de empregos na indústria e o acesso a infraestrutura básica, como saúde e educação, atraíam as famílias do campo. Atualmente, o cenário apresenta novas nuances. Enquanto a busca por melhores condições ainda é um fator, observa-se que muitos jovens deixam o interior para cursar ensino superior em grandes centros, onde constroem carreiras em diversas áreas e, consequentemente, abandonam a vida e as tradições do campo. Esse distanciamento geracional representa uma ameaça direta à continuidade das propriedades rurais familiares, que dependem da sucessão para manter suas atividades e legados.

O envelhecimento da população rural e o desafio da continuidade

Santa Catarina é um estado com forte vocação agrícola e pecuária, contando com 375 mil propriedades rurais registradas no Cadastro Ambiental Rural (CAR). A grande maioria dessas propriedades é conduzida por agricultores familiares, que são a espinha dorsal da produção de alimentos no estado. No entanto, o Censo Agropecuário de 2017, divulgado pelo IBGE, trouxe um dado alarmante: o envelhecimento da população rural figura como um dos principais fatores de risco para a continuidade desses espaços produtivos. Com a falta de jovens dispostos a assumir as rédeas da propriedade, a tendência é que essas terras sejam desativadas, vendidas ou fiquem ociosas, resultando não apenas em perda econômica, mas também cultural e social para as comunidades rurais.

Epagri e o estímulo à permanência jovem no campo e no mar

Diante desse cenário desafiador, a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) tem um papel crucial. A instituição avalia que os dados do IBGE reforçam a necessidade urgente de políticas públicas eficazes que promovam a permanência dos jovens no campo e nas atividades ligadas ao mar. Desde 2012, a Epagri tem se dedicado a oferecer capacitações específicas para esse público, focando na profissionalização da atividade agrícola e pesqueira. O objetivo é claro: garantir que os jovens percebam o meio rural e marinho como ambientes de oportunidades reais de desenvolvimento econômico, social e profissional, onde é possível alcançar boa renda, qualidade de vida e um futuro promissor, evitando o abandono das propriedades e a descontinuidade das tradições familiares.

Iniciativas do Governo de Santa Catarina para a sucessão rural

Programa Jovem Aprendiz Rural: formando futuras gerações

Como uma alternativa concreta para mitigar o êxodo rural e aprimorar a sucessão no campo, o Governo de Santa Catarina tem implementado diversas ações. Uma das iniciativas mais relevantes é o Programa Jovem Aprendiz Rural, conduzido em parceria com o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE-SC) e a Cooperativa Aurora. Este projeto visionário oferece mil vagas destinadas a alunos dos CEDUPs Agrotécnicos, proporcionando-lhes uma carga horária de 20 horas semanais e uma remuneração de R$ 810,50 mensais. Até o momento, mais de 520 estudantes já foram contratados, com a ambiciosa meta de atingir 990 contratações até o fim do primeiro semestre. Este programa não apenas oferece uma primeira experiência de trabalho, mas também conecta a teoria da sala de aula com a prática do agronegócio, incentivando os jovens a visualizar um futuro profissional no meio rural catarinense.

Os CEDUPs Agrotécnicos: infraestrutura e ensino de excelência

Os Centros de Educação Profissional (CEDUPs) Agrotécnicos são instituições públicas de ensino que desempenham um papel fundamental na formação de jovens em Santa Catarina. Distribuídos estrategicamente por todo o estado, esses centros promovem a união entre a educação básica e o curso Técnico em Agropecuária. Os estudantes têm acesso a uma infraestrutura pedagógica de ponta, incluindo laboratórios modernos, unidades produtivas e extensas áreas experimentais, onde podem aprender na prática as competências essenciais para o meio rural. A gestão compartilhada entre a Epagri e a Secretaria de Educação visa fortalecer o ensino agrotécnico no estado, oferecendo a capacitação necessária para que os jovens reconheçam o trabalho rural não apenas como uma tradição familiar, mas como uma sólida oportunidade de desenvolvimento pessoal e profissional. Atualmente, mais de 1.500 jovens estudam nessas instituições, sendo que aproximadamente metade deles são filhos de agricultores familiares, garantindo uma conexão direta com as necessidades do setor. Para 2026, o Governo do Estado projeta um investimento de mais de R$ 20,5 milhões em treinamentos nas cinco unidades disponíveis, demonstrando um compromisso robusto com a qualificação da futura geração rural.

O papel do Senar-SC na capacitação e planejamento sucessório

Outra instituição vital para a promoção da sucessão rural em Santa Catarina é o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-SC). A entidade oferece uma gama de cursos de planejamento sucessório em todas as regiões do estado, capacitando produtores e suas famílias sobre como organizar a transição geracional de forma eficiente e harmoniosa. Em 2025, foram realizados mais de 1.400 eventos de capacitação, que atraíram um impressionante número de 38 mil participantes. O Senar-SC destaca que a procura por esses cursos tem crescido significativamente nos últimos dois anos. Esse aumento é impulsionado pelo envelhecimento crescente dos produtores rurais e, principalmente, pela percepção de que a descontinuidade das atividades agrícolas familiares gera custos elevados, tanto financeiros, pela perda de patrimônio e valor agregado, quanto sociais e culturais, pela dissolução de laços comunitários e tradições centenárias.

Moradia e crédito: pilares para fixar jovens no campo

Linha de crédito habitacional e investimentos estratégicos

A permanência dos jovens no campo está intrinsecamente ligada a condições dignas de vida. Reconhecendo essa necessidade, em março de 2026, o Governo de Santa Catarina lançou uma linha de crédito habitacional inovadora, especificamente para produtores rurais com idades entre 18 e 29 anos. A iniciativa permite financiamentos de até R$ 100 mil por família, por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), e conta com um subsídio de juros do Estado via Pronampe Agro SC. Essa política pública visa facilitar o acesso à moradia adequada no meio rural, um fator crucial para fixar as novas gerações. No ano passado, programas de habitação e capacitação em Santa Catarina atenderam mais de 600 mulheres e jovens, com um investimento total de R$ 10,4 milhões. Para 2026, a projeção é de um aporte ainda maior, totalizando R$ 12,5 milhões, o que demonstra o compromisso contínuo do estado em criar um ambiente propício para que os jovens vejam o campo como um lugar para construir suas vidas e suas famílias.

O reconhecimento nacional: Política Nacional de Juventude e Sucessão Rural

A preocupação com a sucessão rural transcende as fronteiras estaduais. Em 2025, o Senado Federal aprovou a Política Nacional de Juventude e Sucessão Rural (PL 2.674/2025), um marco legislativo que reforça a importância do tema em nível federal. A lei articula ações integradas para facilitar o acesso à terra, a linhas de crédito específicas, ao ensino técnico qualificado e ao fomento para a formação de cooperativas de jovens agricultores. Ao reconhecer que a sucessão é uma política pública essencial, o projeto de lei sublinha sua conexão direta com a continuidade da produção de alimentos, a segurança alimentar, o desenvolvimento rural sustentável e a preservação ambiental. Essa iniciativa nacional complementa e fortalece os esforços já empreendidos em Santa Catarina, criando um ambiente mais favorável para o engajamento das novas gerações no agronegócio.

O planejamento sucessório e a retenção dos jovens no campo não são apenas desafios econômicos, mas uma questão de **futuro** para Santa Catarina. As iniciativas do governo estadual, em parceria com instituições como Epagri, CIEE-SC, Cooperativa Aurora e Senar-SC, juntamente com o respaldo de políticas nacionais, são fundamentais para garantir que as propriedades familiares continuem prosperando e contribuindo para a riqueza e a cultura do estado. Manter as novas gerações conectadas ao rural significa preservar tradições, impulsionar a inovação e assegurar a produção de alimentos para todos. Mantenha-se informado sobre esses e outros temas vitais para Santa Catarina. Para mais notícias aprofundadas e análises sobre o desenvolvimento de nossa região, continue navegando no São José Mil Grau, a sua fonte de informação completa e engajadora.

Fonte: https://g1.globo.com

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