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Um caso chocante de troca de corpos no <b>Instituto Médico Legal (IML)</b> de Florianópolis, <b>Santa Catarina</b>, revelou não apenas uma falha operacional grave, mas também uma denúncia alarmante: a sugestão de servidores públicos para ocultar o erro. Segundo <b>Aline Thaise Nunes Mikna</b>, agente funerária envolvida na situação, a proposta era manter os sepultamentos indevidos de três homens, impedindo que as famílias descobrissem a confusão. O episódio, que expõe vulnerabilidades no processo de liberação de corpos e levanta sérias questões éticas, levou duas famílias a velarem e sepultarem pessoas desconhecidas, enquanto uma terceira vítima permaneceu retida no IML sem o devido encaminhamento.

A chocante revelação da agente funerária

O cerne da controvérsia reside na declaração de <b>Aline Thaise Nunes Mikna</b>, que em entrevista à NSC TV, detalhou a proposta inaceitável. Ela relatou que, ao comparecer ao <b>Instituto Geral de Perícias (IGP)</b> – antiga denominação da <b>Polícia Científica de Santa Catarina</b> – juntamente com o gerente de outra funerária, foi sugerido que a situação de troca fosse mantida em segredo. “Assim, nenhum dos três casos seriam descobertos”, teria sido a justificativa apresentada. A intenção era lacrar as urnas, entregá-las para os velórios normalmente e, subsequentemente, realizar os sepultamentos, evitando a revelação do equívoco. Felizmente, conforme <b>Mikna</b>, a equipe da funerária se recusou veementemente a compactuar com tal prática, agindo com a ética e a responsabilidade que o momento exigia. A <b>Polícia Científica de Santa Catarina</b>, por sua vez, negou categoricamente que tal proposta tenha sido feita por seus servidores, gerando um impasse na narrativa dos fatos e aprofundando a necessidade de uma investigação minuciosa.

Cronologia dos fatos: como a confusão se instalou

As vítimas e o dia da morte

A tragédia inicial que levou os corpos ao IML começou em 9 de abril. Uma das vítimas era <b>Juliano Henrique Guadagnin</b>, de 24 anos, que faleceu em um acidente de moto. Os outros dois homens, <b>Patrick Nunes Ferreira</b> e <b>Denner Dario Colodina</b>, foram vítimas de homicídio, tendo seus corpos encontrados no mesmo dia. Os três corpos foram encaminhados ao IML de <b>Florianópolis</b> para os procedimentos de identificação e necropsia, antes da liberação para as respectivas famílias.

A falha na liberação e os sepultamentos indevidos

A confusão culminou em 10 de abril, quando dois dos corpos foram liberados, mas de forma equivocada. O corpo de <b>Patrick Nunes Ferreira</b> foi entregue e sepultado no <b>Cemitério do Itacorubi</b>, na região Central de <b>Florianópolis</b>, no lugar de <b>Denner Dario Colodina</b>. Por sua vez, o corpo de <b>Denner Dario Colodina</b> foi sepultado no <b>Cemitério do Rio Vermelho</b>, na região Norte da cidade, em um local destinado a <b>Juliano Henrique Guadagnin da Silva</b>. A particularidade de os caixões terem sido mantidos fechados durante os velórios e sepultamentos, prática comum em casos onde o corpo apresenta ferimentos graves, contribuiu para que a troca não fosse percebida pelas famílias naquele momento, intensificando a dor e a perplexidade quando a verdade veio à tona.

O corpo retido e a espera angustiante

Em meio a essa sequência de erros, o corpo de <b>Juliano Henrique Guadagnin da Silva</b> permaneceu retido no IML, sem a devida liberação à sua família. Enquanto seus entes queridos realizavam um velório e sepultamento de um desconhecido, o corpo de <b>Juliano</b> aguardava indevidamente nos refrigeradores da instituição. Essa retenção forçada adicionou uma camada extra de sofrimento à família, que só pôde finalmente velar e sepultar seu filho corretamente no dia 13 de abril, após a correção dos erros.

A controvérsia sobre a responsabilidade

O relatório do IML: culpa da funerária?

Um relatório de plantão do IML, ao qual a NSC TV teve acesso, trouxe à tona uma versão que direciona a responsabilidade para o agente funerário. Segundo o documento, apesar de ter sido demonstrada a “exata localização dos corpos liberados para remoção”, o agente funerário teria efetuado a remoção dos corpos de <b>Denner</b> (corretamente) e <b>Patrick</b> (equivocadamente, julgando se tratar de <b>Juliano</b>). O relatório sugere que o incidente ocorreu enquanto a servidora do IML realizava o armazenamento dos cartões FTA – utilizados para coleta de material genético – e a higienização da sala de necropsia, implicando que a atenção do agente funerário deveria ter sido redobrada para evitar o erro. Essa narrativa oficial do IML contrasta fortemente com a defesa da funerária.

A defesa da funerária: “dever de polícia” do IGP

A agente funerária <b>Aline Thaise Nunes Mikna</b> e o advogado da empresa, <b>Juliano Duarte Campos</b>, rebatem veementemente a acusação do IML. <b>Aline</b> afirma que os documentos de liberação estavam corretos, mas que os corpos fisicamente estavam trocados, indicando uma falha na separação interna do instituto. O advogado <b>Juliano Duarte Campos</b> enfatizou que a responsabilidade primária pela correta identificação e entrega dos corpos recai sobre os servidores públicos do IML/IGP. “O agente não reconhece, o agente recebe o corpo. Quem tem que ter cuidado e o dever de polícia de fiscalizar é o funcionário do <b>IGP</b> e não o agente da funerária”, argumentou <b>Campos</b>, salientando que a função do agente funerário é remover o corpo conforme a indicação oficial, não a sua identificação forense ou policial. Este embate sobre a culpa ressalta a complexidade e a necessidade de protocolos rigorosos em instituições que lidam com momentos tão sensíveis.

A dolorosa descoberta das famílias

O momento da revelação

A falha catastrófica só foi identificada horas depois dos sepultamentos, quando um familiar de uma das vítimas foi pessoalmente ao <b>Instituto Médico Legal</b> para identificar o corpo. Foi neste ponto que a inconsistência veio à tona, desencadeando uma série de eventos para corrigir o erro. A notícia da troca foi um golpe devastador para as famílias, que já estavam em luto e agora enfrentavam a surreal realidade de terem sepultado um desconhecido.

O relato da mãe de Juliano

A dor da descoberta é palpável no depoimento de <b>Mônica Raquel Guadagnin</b>, mãe de <b>Juliano Henrique Guadagnin</b>. Ela descreveu a sequência angustiante dos eventos: “Foi feito o velório dele às 14h, foi feito o sepultamento às 17h. Saímos do cemitério, viemos para casa e, quando eu chego em casa, eu recebo um telefonema da funerária pedindo que eu retornasse na central de óbitos que houve um problema com o IML. Foi tratado assim: ‘um problema com o IML’”. A eufemização inicial da situação não diminuiu o impacto do que estava por vir. O choque de <b>Mônica</b> ao descobrir que seu filho não estava no túmulo que ela acabara de visitar ilustra a dimensão do trauma causado pelo erro institucional e a subsequente tentativa de ocultação.

As ações e desdobramentos após a descoberta

A posição oficial da Polícia Científica de Santa Catarina

Diante da repercussão e da gravidade do caso, a <b>Polícia Científica de Santa Catarina (PCISC)</b> emitiu uma nota pública. No comunicado, a instituição reconheceu, “com transparência e responsabilidade institucional, que ocorreu um erro operacional na unidade de <b>Florianópolis</b> durante a liberação dos corpos”. A <b>PCISC</b> lamentou profundamente o ocorrido e se comprometeu a tomar as medidas cabíveis para evitar que tais falhas se repitam, enfatizando a revisão de seus protocolos internos e a busca por maior segurança em seus procedimentos. Este reconhecimento, embora tardio para as famílias envolvidas, é um passo fundamental para o início de um processo de apuração e aprimoramento.

As exumações e novos sepultamentos

Para corrigir o erro, os corpos que foram indevidamente sepultados precisaram ser exumados. Após este delicado procedimento, que adicionou mais um capítulo de dor e constrangimento às famílias, os corpos foram novamente encaminhados ao IML para nova identificação e liberação. Finalmente, no dia 13 de abril, as vítimas foram sepultadas corretamente por suas respectivas famílias, um ato que, embora tardio, trouxe um mínimo de conforto e a possibilidade de um luto adequado.

Investigações em andamento

O caso não se encerra com a correção dos sepultamentos. O <b>Ministério Público de Santa Catarina</b> informou que vai instaurar um procedimento para apurar detalhadamente o ocorrido, buscando identificar as responsabilidades e as causas do “erro operacional” no IML. A <b>Polícia Civil</b> também foi questionada sobre a abertura de um inquérito para investigar o caso, mas até o momento da última atualização da reportagem, não havia retornado. A expectativa é que as investigações aprofundem as denúncias de <b>Aline Thaise Nunes Mikna</b> e determinem se houve, de fato, a sugestão de ocultar o erro, e quais servidores estariam envolvidos, garantindo que a justiça seja feita e que tais falhas sejam prevenida no futuro.

Este incidente em <b>Florianópolis</b> serve como um alerta crítico sobre a importância da precisão e da ética em todos os níveis de serviço público, especialmente em momentos de vulnerabilidade humana. A busca por respostas e responsabilização é essencial para restaurar a confiança da população nas instituições. Para continuar acompanhando de perto este e outros casos que impactam a comunidade de <b>São José</b> e região, e para se manter informado com o jornalismo investigativo e aprofundado que você confia, não deixe de navegar pelas outras notícias em nosso site, <b>São José Mil Grau</b>. Sua participação é fundamental para fortalecer o jornalismo que verdadeiramente importa!

Fonte: https://g1.globo.com

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