Itália encara fantasma da repescagem contra Irlanda.| Foto: Reprodução SBT Sports / Divulgação
Itália encara fantasma da repescagem contra Irlanda.| Foto: Reprodução SBT Sports / Divulgação

A seleção italiana de futebol, tetracampeã mundial e uma das maiores potências do esporte, viu-se em uma situação angustiante na fase de qualificação para a Copa do Mundo FIFA de 2022 no Catar. A sombra da ausência em um Mundial, que já havia se materializado de forma traumática em 2018, pairava novamente sobre a Azzurra. A tensão atingiu seu ápice com a necessidade de disputar a temida repescagem, um caminho sinuoso e de alto risco. O confronto crucial da fase de grupos, que selaria o destino da Itália para a repescagem, ocorreu justamente contra a Irlanda do Norte, um adversário que, à primeira vista, poderia parecer menos ameaçador, mas que se provou um obstáculo decisivo no percurso da equipe.

A dura realidade da qualificação para 2022 e o empate decisivo em Belfast

A jornada da Itália nas Eliminatórias Europeias para a Copa do Mundo de 2022 foi marcada por uma performance inicialmente robusta, mas que culminou em empates inesperados e na perda da liderança do Grupo C para a Suíça. Sob o comando de Roberto Mancini, o time parecia ter consolidado um novo ciclo de sucesso após a conquista da Eurocopa 2020. No entanto, a reta final da fase de grupos trouxe à tona velhos receios. O empate em 1 a 1 com a Suíça em casa e, mais criticamente, o empate sem gols (0 a 0) contra a Irlanda do Norte em Belfast, em novembro de 2021, foram os resultados que custaram à Itália a vaga direta. Este último jogo, em particular, foi um divisor de águas. A Irlanda do Norte, atuando em casa e com uma postura defensiva sólida e organizada, conseguiu frustrar as investidas italianas, garantindo um ponto que, embora pouco valioso para suas próprias aspirações, teve um impacto devastador para a Azzurra, que acabou em segundo lugar, condenada à repescagem.

O resultado em Belfast ressaltou a dificuldade de enfrentar equipes com menor projeção, mas com grande disciplina tática e forte espírito de luta, especialmente em seus domínios. A pressão para vencer era imensa, e a incapacidade de furar o bloqueio norte-irlandês gerou um sentimento de frustração e deixou um alerta severo sobre os desafios que viriam na próxima fase. Aquele 0 a 0 não apenas selou o destino da Itália na repescagem, mas também acendeu um sinal de alerta sobre a capacidade da equipe de converter seu domínio em gols em momentos cruciais, um problema que se repetiria de forma trágica.

O fantasma de 2018 retorna: a ausência na Copa do Mundo da Rússia

Para entender a profundidade da ansiedade italiana em relação à repescagem, é fundamental revisitar o trauma de 2018. Naquela ocasião, a Azzurra, também depois de terminar em segundo lugar em seu grupo eliminatório, enfrentou a Suécia na repescagem. A derrota por 1 a 0 no placar agregado (0 a 1 em Solna e 0 a 0 em Milão) representou um dos maiores vexames da história do futebol italiano. Foi a primeira vez em 60 anos que a Itália ficava de fora de uma Copa do Mundo (a última havia sido em 1958). A eliminação gerou uma crise sem precedentes, com a demissão do técnico Gian Piero Ventura e um profundo questionamento sobre o futuro da seleção e do futebol no país. Nomes como Gianluigi Buffon, Daniele De Rossi e Giorgio Chiellini, lendas que participaram de diversas Copas, viram-se eliminados, marcando o fim de uma era de forma melancólica.

Aquele episódio deixou uma cicatriz profunda. A imagem de uma nação apaixonada pelo futebol, que respira Copas do Mundo e acumula quatro títulos, sem seu representante no palco principal do esporte global, era impensável e inaceitável. O “fantasma da repescagem” de 2018 não era apenas uma figura de linguagem; era uma memória viva e dolorosa que se reanimava a cada novo desafio eliminatório, especialmente quando o formato de mata-mata se apresentava como o único caminho para a redenção. A repetição do cenário para 2022 intensificou a pressão e o medo de reviver aquele pesadelo, transformando cada jogo em uma verdadeira batalha psicológica e técnica.

A glória europeia e a pressão por mais sucesso

Paradoxalmente, a Itália chegou à repescagem de 2022 ostentando o título de campeã da Eurocopa 2020 (disputada em 2021). Sob a liderança de Roberto Mancini, a equipe havia demonstrado um futebol envolvente, ofensivo e resiliente, quebrando um jejum de títulos continentais que durava desde 1968. A vitória sobre a Inglaterra em Wembley na final da Euro elevou a Azzurra ao patamar de uma das melhores seleções do mundo, reacendendo o orgulho nacional e as expectativas para a Copa do Mundo. Essa glória recente, contudo, adicionou uma camada extra de pressão à campanha eliminatória.

Era quase impensável que uma equipe que dominou a Europa não conseguisse se classificar para o Mundial seguinte. O contraste entre o auge continental e a dificuldade nas eliminatórias criava um dilema. A confiança era alta, mas a responsabilidade era ainda maior. Mancini, elogiado por reconstruir a equipe e implementar um estilo de jogo moderno, agora enfrentava o desafio de não permitir que seus comandados caíssem na armadilha da complacência ou sucumbissem à pressão. A nação esperava que o sucesso da Eurocopa fosse a força motriz para superar qualquer obstáculo, e a ideia de não estar na Copa do Mundo após tal triunfo era ainda mais amarga.

O caminho da repescagem: desafios inesperados e o desfecho dramático

O formato da repescagem para a Copa do Mundo de 2022 era brutal: caminhos de mata-mata únicos, com semifinais e finais decididas em jogo único. A Itália foi alocada no Caminho C, onde enfrentaria a Macedônia do Norte nas semifinais, e o vencedor desse confronto pegaria quem saísse do duelo entre Portugal e Turquia. Um caminho extremamente difícil, com a possibilidade de um 'clássico' contra Portugal valendo a vaga no Mundial.

Apesar de ser considerada favorita absoluta contra a Macedônia do Norte, a Itália não conseguiu superar o adversário em casa. No dia 24 de março de 2022, no Estádio Renzo Barbera, em Palermo, a Azzurra dominou a posse de bola, criou inúmeras chances, mas falhou repetidamente na finalização. Em um lance isolado nos acréscimos do segundo tempo, Aleksandar Trajkovski, com um chute de fora da área, marcou o gol que silenciou a Itália e chocou o mundo do futebol. A Macedônia do Norte venceu por 1 a 0, eliminando a tetracampeã mundial e impedindo-a de sequer disputar a final da repescagem.

As implicações da segunda ausência consecutiva

A eliminação para a Copa do Mundo de 2022 marcou a segunda ausência consecutiva da Itália no torneio, algo inédito e profundamente doloroso para o país. Este revés não é apenas uma derrota esportiva; ele carrega consigo um peso histórico e cultural. A ausência significa a perda de uma plataforma global para mostrar o talento de seus jogadores, impacta a economia do futebol italiano (patrocínios, direitos de transmissão, merchandising) e, mais importante, abala o moral de milhões de torcedores que veem na Copa do Mundo um momento de união e celebração nacional. Roberto Mancini, apesar do sucesso na Eurocopa, viu-se sob intensa crítica, e o futuro de sua gestão foi questionado, embora ele tenha permanecido no cargo. A Itália, que havia se reerguido com bravura na Euro, viu-se novamente em um abismo, forçada a uma profunda reflexão sobre as estratégias de longo prazo para garantir que seu lugar entre as elites do futebol mundial não seja mais posto em xeque.

A falha em se classificar para dois Mundiais seguidos é um alerta severo para a Federação Italiana de Futebol e para todo o sistema de desenvolvimento de jogadores no país. É um lembrete de que, no futebol moderno, o passado glorioso não garante o futuro, e a atenção aos detalhes, a consistência e a capacidade de performar sob pressão são cruciais. O 'fantasma da repescagem' agora se transformou em uma dura realidade, e o caminho para a redenção será longo e exigirá uma profunda reestruturação e um comprometimento renovado. Para mais análises aprofundadas sobre o futebol mundial e os desafios das grandes seleções, continue navegando no São José Mil Grau, seu portal de notícias que traz a cobertura completa e o contexto que você precisa.

Fonte: https://scc10.com.br

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