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A tranquilidade de Florianópolis foi abalada por um crime que chocou Santa Catarina e Rio Grande do Sul: o assassinato e esquartejamento de Luciani Aparecida Estivalet Freitas, uma corretora de imóveis gaúcha de 43 anos. O que inicialmente se apresentou como um desaparecimento intrigante rapidamente escalou para uma complexa investigação policial, culminando na prisão de três indivíduos suspeitos de envolvimento. As autoridades estão tratando o caso como um latrocínio, um roubo seguido de morte, marcado por detalhes perturbadores como mensagens suspeitas e compras online realizadas em nome da vítima.

O desaparecimento e o alerta da família

Luciani, que havia feito de Florianópolis sua residência, mantinha contato diário com sua família no Rio Grande do Sul. Seu irmão, Matheus Estivalet Freitas, foi o primeiro a se preocupar quando tentativas de comunicação se mostraram infrutíferas. O verdadeiro sinal de alerta, contudo, veio de mensagens incomuns, repletas de erros gramaticais — como “pesso” e “precionando” —, que começaram a ser enviadas do celular dela. Essas inconsistências linguísticas, totalmente atípicas de Luciani, somadas à falta de contato no aniversário de sua mãe, em 6 de março, convenceram a família de que algo grave havia ocorrido. Em 9 de março, a corretora foi oficialmente dada como desaparecida, desencadeando a investigação policial que desvendaria a terrível verdade.

A trilha investigativa: pegadas digitais e evidências cruciais

A Polícia Civil de Santa Catarina agiu rapidamente, identificando uma pista vital: compras online não autorizadas estavam sendo feitas utilizando o CPF de Luciani. Essa pegada digital tornou-se um fio condutor para os investigadores, permitindo rastrear os endereços de entrega dos produtos adquiridos, todos localizados em Florianópolis. Esse método, cada vez mais crucial na resolução de crimes modernos, forneceu caminhos concretos para a polícia. Agentes interceptaram um adolescente de 14 anos, que tentava retirar algumas dessas encomendas. O jovem, posteriormente identificado como irmão de um dos principais suspeitos, declarou que os itens eram para seu parente, inadvertidamente fornecendo uma ligação direta com os supostos criminosos. A partir daí, a teia de fatos começou a se desenrolar, apontando para um cenário de violência e ganância.

Os suspeitos: uma rede de proximidade e traição

A investigação levou à prisão de três indivíduos, cujas conexões com a vítima revelam uma camada de traição. Ângela Maria Moro, de 47 anos, administradora do conjunto residencial onde Luciani morava, foi a primeira a ser detida, em 12 de março. Inicialmente suspeita de receptação, após a descoberta de pertences da vítima em apartamentos que ela gerenciava, seu status rapidamente mudou para prisão temporária por homicídio, devido à gravidade das evidências. Os outros dois suspeitos, Matheus Vinícius Silveira Leite, 27 anos, vizinho de porta de Luciani, e sua namorada, Letícia Jardim, 30 anos, foram presos em 13 de março em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, para onde teriam fugido. A proximidade dos suspeitos com a vítima — uma vizinha e a administradora do edifício — adiciona uma dimensão de quebra de confiança ao crime, sugerindo um plano calculado que explorou a familiaridade e o acesso. A mãe de Matheus e um irmão mais jovem também foram ouvidos pela polícia, mas até o momento não enfrentam acusações.

Modus operandi: ocultação e tentativa de obstrução

Seguindo a pista fornecida pelo adolescente interceptado, a polícia realizou uma operação no conjunto residencial. Em um dos apartamentos, os policiais encontraram um conjunto perturbador de itens: malas recheadas com pertences pessoais de Luciani, ao lado de produtos recém-comprados, como duas balestras (bestas), um controle de videogame e uma televisão, todos adquiridos usando o CPF da vítima. Depoimentos colhidos durante a investigação sugeriram esforços coordenados pelo grupo para ocultar provas e obstruir a justiça. A localização do carro de Luciani, um HB20, nas proximidades de uma pousada, forneceu outra peça crucial do quebra-cabeça. As autoridades acreditam que o veículo foi utilizado para transportar o corpo esquartejado da corretora para um local de descarte a mais de 100 quilômetros da capital, evidenciando uma tentativa desesperada de se livrar dos restos mortais e evitar a detecção. O próprio ato de esquartejamento aponta para uma brutalidade extrema e um cálculo frio por parte dos perpetradores.

A motivação: latrocínio – um crime de ganância

A Polícia Civil está tratando o caso como latrocínio, uma classificação legal que se aplica a crimes onde a intenção primária é o roubo, e a violência empregada durante a ação resulta na morte da vítima. A brutalidade da morte de Luciani, combinada com o uso imediato de sua identidade para ganhos financeiros através de compras online, corrobora fortemente essa hipótese. O latrocínio é considerado um dos crimes mais graves na legislação brasileira, acarretando uma pena que pode variar de 20 a 30 anos de reclusão, com o início do cumprimento em regime fechado. Embora o motivo principal pareça ser o ganho material, os investigadores continuam trabalhando incansavelmente para determinar a sequência exata dos eventos que levaram ao assassinato de Luciani e o grau de participação de cada suspeito, buscando a verdade completa. O perfil psicológico dos envolvidos e as dinâmicas subjacentes que os levaram a um ato tão hediondo permanecem como parte integrante da complexa e contínua investigação.

Repercussões e a busca por justiça

A trágica morte de Luciani Aparecida Estivalet Freitas serve como um lembrete sombrio dos perigos ocultos que podem espreitar mesmo em comunidades aparentemente seguras. Sua história, um relato angustiante de confiança traída e uma vida cruelmente interrompida por ganância, afetou profundamente tanto os moradores de Florianópolis quanto sua família no Rio Grande do Sul. Embora três indivíduos estejam agora sob custódia, o processo legal é longo e intrincado. O São José Mil Grau continuará a acompanhar de perto os desenvolvimentos deste caso, garantindo que cada nova informação seja divulgada, honrando a memória de Luciani e contribuindo para a busca por justiça para ela e seus entes queridos.

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Fonte: https://g1.globo.com

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