O chocante assassinato da corretora de imóveis gaúcha Luciani Aparecida Estivalet Freitas, brutalmente morta e esquartejada em Florianópolis, vem revelando camadas de uma trama complexa que aponta para indivíduos próximos à vítima. Meses antes de ser encontrada sem vida, Luciani havia expressado ao irmão uma profunda decepção com a administradora do conjunto residencial onde morava. Essa mesma administradora, Ângela Maria Moro, é hoje uma das principais suspeitas de envolvimento no crime, presa sob a acusação de homicídio e receptação, conforme a investigação da Polícia Civil de Santa Catarina. O caso expõe não apenas a frieza de um crime hediondo, mas também a vulnerabilidade daqueles que, por excesso de confiança, acabam se tornando vítimas de quem menos esperam.
Um presságio de desilusão: a mensagem de Luciani
Em novembro de 2025 – data que a família corrigiu para 2023, dada a cronologia dos fatos –, Luciani enviou uma mensagem a seu irmão, Matheus Estivalet Freitas, que hoje ressoa como um triste prenúncio. "Achei que a dona do residencial era minha amiga, mas ela me decepcionou", escreveu a corretora, um desabafo que revelava a fragilidade de uma relação que ela considerava de amizade. Na mesma conversa, Luciani afirmava que não iria mais "confiar cegamente". O contexto exato da decepção permanece sob investigação, mas a declaração sugere um abalo significativo na confiança de Luciani em relação a Ângela Maria Moro, a administradora do local onde ela residia na Praia do Santinho. Matheus, o irmão da vítima, não soube detalhar os motivos específicos da queixa, mas enfatizou que Luciani era uma pessoa extremamente confiante, o que a tornava, segundo ele, alvo fácil para aqueles que se aproveitavam de sua boa-fé.
Avanços na investigação e as prisões dos suspeitos
A investigação em torno da morte de Luciani ganhou contornos mais definidos com a prisão de três indivíduos. Cada um deles traz consigo elementos que aprofundam o mistério e a complexidade do caso, desde a relação inicial com a vítima até a descoberta de seus antecedentes criminais.
Ângela Maria Moro: da receptação ao indício de homicídio
A prisão de Ângela Maria Moro, de 47 anos, ocorreu na quinta-feira (12) e representou um ponto crucial na investigação. Inicialmente, ela foi detida pelo crime de receptação, após a Polícia Civil encontrar diversos objetos pertencentes a Luciani no conjunto residencial que Ângela alegava administrar – e onde a vítima morava. A posse de bens da corretora, sem justificativa plausível, levantou as primeiras suspeitas sobre seu envolvimento. No entanto, o cenário se agravou durante a audiência de custódia. Diante das evidências colhidas, o juiz responsável pelo caso citou a existência de "indícios de homicídio" e determinou a prisão temporária de Ângela por 30 dias. Embora ela tenha negado veementemente qualquer participação no assassinato durante o depoimento na delegacia, a Justiça avaliou que há elementos suficientes para aprofundar a investigação sobre sua possível conexão com o crime brutal. A defesa de Ângela Maria Moro ainda não se manifestou publicamente sobre as acusações, e a Polícia Civil continua buscando contato para obter seu posicionamento.
O casal vizinho: Matheus Vinícius Silveira Leite e Letícia Jardim
A trama se adensou com a prisão de um casal que morava a poucos metros da residência de Luciani, no mesmo conjunto habitacional na Praia do Santinho. Matheus Vinícius Silveira Leite, de 27 anos, e Letícia Jardim, de 30, foram detidos na sexta-feira (13) também sob suspeita de participação no assassinato. A situação de Matheus é particularmente delicada, pois ele já era procurado pela Justiça de São Paulo por um crime de latrocínio – roubo seguido de morte –, o que sugere um histórico de violência e periculosidade. A proximidade física com a vítima e os antecedentes criminais de um dos envolvidos reforçam a linha investigativa que aponta para um crime que pode ter sido premeditado ou executado por pessoas com experiência no submundo do crime. A Polícia Civil trabalha para entender a dinâmica do envolvimento do casal e qual seria a motivação para um ato tão bárbaro.
O perfil de Luciani: alegria, profissionalismo e uma confiança fatal
Luciani Aparecida Estivalet Freitas era descrita por aqueles que a conheciam como uma pessoa de espírito vibrante e coração generoso. Seu irmão, Matheus, recorda-a como alguém sorridente, uma amante dedicada dos animais e com uma paixão pela música, adorando cantar. Além disso, Luciani possuía um "jeito lindo de ver a vida", uma característica que sublinhava seu otimismo e sua capacidade de enxergar o lado positivo das coisas, mesmo diante de desafios. Profissionalmente, ela era uma mulher ativa e multifacetada, atuando como corretora e administradora de imóveis, além de possuir formação em turismologia. Essa diversidade profissional indica uma pessoa com muitos contatos e atividades, mas que, paradoxalmente, carregava uma vulnerabilidade em sua extrema confiança nas pessoas. Em uma tocante homenagem nas redes sociais, Matheus Estivalet Freitas expressou a dor da perda e a indignação: "Minha irmã era amor. Minha irmã era doçura. Ela confiou demais em pessoas que acreditava serem amigas, mas que não eram. Pessoas que se aproveitaram da sua inocência, da sua confiança, dos seus segredos e da sua vida pessoal e profissional". Essa descrição, à luz dos acontecimentos, ressalta a trágica ironia de seu fim, possivelmente pelas mãos daqueles em quem depositou parte de sua confiança.
A cronologia de um desaparecimento e a brutal descoberta
O mistério em torno do destino de Luciani começou a se desenhar com um desaparecimento que, a princípio, parecia inexplicável, mas logo revelou detalhes perturbadores. Embora morasse sozinha em Florianópolis, Luciani mantinha um contato diário e ininterrupto com sua família, seja por mensagens ou ligações. Essa rotina foi quebrada, e a súbita interrupção da comunicação já era um sinal de alerta. A preocupação da família se intensificou quando mensagens enviadas do celular da corretora começaram a apresentar diversos erros gramaticais – um padrão incomum para Luciani –, levantando a desconfiança de que não seria ela quem estava digitando. A ausência de uma mensagem de parabéns à mãe pelo aniversário, ocorrido em 6 de março, selou a certeza de que algo muito grave havia acontecido.
O desaparecimento foi oficialmente registrado na segunda-feira (9). Dois dias depois, na quarta-feira (11), a pior das notícias: um corpo esquartejado foi encontrado em Major Gercino, uma cidade localizada a cerca de 80 quilômetros de Florianópolis. A identificação oficial dos restos mortais, confirmando que pertenciam a Luciani, só veio na sexta-feira (13), após exames periciais. A crueldade do crime foi ressaltada pela forma como o corpo foi descartado: dividido em cinco pacotes distintos e transportado no próprio carro da vítima até uma ponte, em uma área rural de Major Gercino, onde foi jogado em um córrego. Até o momento, apenas uma das sacolas com partes do corpo foi localizada, intensificando a angústia da família e o desafio da investigação em reunir todos os fragmentos da verdade e do que restou de Luciani.
Próximos passos da investigação e a busca por justiça
Com as prisões e os indícios colhidos, a Polícia Civil de Santa Catarina concentra seus esforços em elucidar completamente o caso. Os próximos passos incluem a continuidade dos interrogatórios dos suspeitos, a análise aprofundada de provas forenses – incluindo DNA e digitais –, a busca por outros possíveis cúmplices e, crucialmente, a identificação da motivação por trás de um crime tão bárbaro. A investigação também se voltará para a busca das partes restantes do corpo da vítima, um esforço doloroso, mas essencial para a dignidade de Luciani e para a completude do inquérito. O impacto desse crime na comunidade de Florianópolis, especialmente na Praia do Santinho, é profundo, gerando medo e indignação. A população clama por respostas e por justiça para Luciani, que teve sua vida ceifada de forma tão brutal e incompreensível.
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Fonte: https://g1.globo.com