O desaparecimento da corretora de imóveis Luciani Aparecida Estivalet Freitas em Florianópolis, Santa Catarina, ganhou contornos de um mistério complexo e preocupante. Enquanto a Polícia Civil investiga intensamente o caso, que se iniciou com o registro do sumiço da mulher moradora do Norte da Ilha, uma reviravolta inusitada surgiu nas apurações: o uso indevido do CPF da vítima para a realização de diversas compras online. Este detalhe não apenas adiciona uma camada de intriga à investigação, mas também levanta sérias questões sobre as circunstâncias que envolvem o sumiço da gaúcha.
O Início da Trama: Desaparecimento e Descoberta
Luciani Aparecida Estivalet Freitas, uma corretora e administradora de imóveis atuante na turística Praia do Santinho, no Norte da Ilha de Florianópolis, foi vista pela última vez em contato com a família no dia 4 de março. Seu desaparecimento foi oficialmente registrado na segunda-feira, 9 de março, após a família notar uma mudança drástica em seu padrão de comunicação. A angústia se intensificou na quarta-feira, 11 de março, quando o corpo de uma mulher com características semelhantes às de Luciani foi encontrado, embora a confirmação oficial da identidade dependesse de exames periciais.
Desde o primeiro momento, a Polícia Civil de Santa Catarina iniciou uma força-tarefa para desvendar o caso. O sumiço, inicialmente tratado como desaparecimento de pessoa, rapidamente evoluiu para uma investigação de alta complexidade, à medida que novos e perturbadores detalhes começaram a surgir, apontando para a possibilidade de um crime mais grave.
A Pista Digital: Compras com o CPF da Vítima
Um dos elementos mais chocantes da investigação é a descoberta de que o Cadastro de Pessoa Física (CPF) de Luciani foi utilizado para realizar diversas compras pela internet após seu desaparecimento. Entre os itens adquiridos de forma suspeita estavam dois arcos de balestra – uma espécie de arma que combina características de arco e flecha com a mecânica de uma espingarda, conhecida por seu poder de perfuração –, além de um controle de videogame e uma televisão. A natureza peculiar desses produtos levantou imediatamente um alerta para os investigadores, pois pareciam incongruentes com os hábitos de consumo e o perfil da corretora de imóveis.
A Polícia Civil, ao detectar as transações, empregou métodos avançados de investigação digital, passando a monitorar os endereços de entrega dos produtos. Todos os locais de recebimento foram identificados dentro da capital catarinense, Florianópolis, o que permitiu aos agentes estreitar o cerco em torno dos possíveis envolvidos e dos locais onde os itens poderiam ser encontrados.
A Conexão com Ângela Maria Moro e a Pousada
O monitoramento dos endereços de entrega revelou-se crucial. Na quarta-feira, 11 de março, policiais abordaram um adolescente de 14 anos que buscava algumas das encomendas. Questionado, o jovem afirmou que os produtos eram destinados ao seu irmão, um homem maior de idade. Seguindo essa pista, os agentes dirigiram-se a uma pousada, onde encontraram Ângela Maria Moro, que se apresentou como responsável pelo estabelecimento. A partir daí, a investigação tomou um rumo decisivo.
Em um dos apartamentos da pousada, os policiais fizeram uma descoberta alarmante: além dos produtos comprados com o CPF de Luciani, foram encontradas duas malas repletas de pertences pessoais da corretora. Para piorar a situação de Ângela, o carro da vítima, um veículo modelo HB20, também estava no local. Diante dessas evidências contundentes, Ângela Maria Moro foi presa em flagrante por receptação, ou seja, por adquirir ou receber, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime.
Em seu depoimento na delegacia e posteriormente em audiência de custódia, Ângela negou qualquer envolvimento com o desaparecimento de Luciani. Ela alegou que os itens haviam sido encontrados em um apartamento desocupado no local após o pedido de um inquilino. No entanto, o detalhamento do documento da audiência de custódia corroborou a versão policial: “Os policiais civis localizaram malas cheias de pertences, além de outros objetos adquiridos, tais como 2 arcos balestra, controle de vídeo game e uma televisão”, dizia o documento, consolidando as evidências contra a suspeita.
Indícios de um Crime que Vai Além do Patrimonial
A complexidade do caso se aprofundou com o depoimento de outras testemunhas, que indicaram que objetos da vítima teriam sido escondidos e que houve tentativas claras de dificultar o trabalho da polícia. Para o Ministério Público (MP), os fatos coletados até o momento são gravíssimos e apontam que o caso transcende um simples crime patrimonial. A presença do corpo com características da vítima, o uso fraudulento do CPF, a ocultação de pertences e a tentativa de ludibriar a investigação sugerem a ocorrência de crimes de maior potencial ofensivo, como sequestro, cárcere privado, homicídio e ocultação de cadáver, que estão sendo cuidadosamente apurados pelas autoridades.
O Alerta da Família: Mensagens Suspeitas
O papel da família de Luciani foi fundamental para o início da investigação. Matheus Estivalet Freitas, irmão da corretora, relatou que sua irmã, que mora sozinha, mantinha contato diário com a família. O último contato considerado normal foi em 4 de março. Contudo, a partir de 9 de março, a família começou a receber mensagens enviadas do celular de Luciani que levantaram sérias suspeitas. O principal motivo do alerta foram os "erros gramaticais" e uma mudança notável no estilo de escrita de Luciani, que era conhecida por sua comunicação formal e correta. Esses detalhes, aparentemente triviais, foram o primeiro e mais forte indício para a família de que algo estava errado.
Em uma das mensagens consideradas suspeitas, Luciani supostamente afirmava estar bem, mas alegava estar sendo perseguida por um ex-namorado. Embora essa informação pudesse ser uma pista, a inconsistência da linguagem e a percepção da família de que não se tratava da maneira habitual de Luciani se expressar, fizeram com que desconfiassem da autenticidade das mensagens, levantando a hipótese de que outra pessoa estaria manipulando seu celular.
Próximos Passos da Investigação e Apelo à Comunidade
A Polícia Civil de Santa Catarina mantém o sigilo sobre detalhes específicos da investigação para não comprometer o andamento das apurações. No entanto, as autoridades reafirmam o compromisso de divulgar novas informações à medida que o caso avança e que novos elementos sejam consolidados. A complexidade de um crime que envolve desaparecimento, uso de dados pessoais para fraude e a possível participação de múltiplos indivíduos demanda uma investigação meticulosa e coordenada.
O caso de Luciani Aparecida Estivalet Freitas serve como um alerta para a vulnerabilidade de dados pessoais e a importância da vigilância. A comunidade local e a população em geral acompanham o desdobramento da investigação com grande expectativa, torcendo por respostas e pela responsabilização dos envolvidos.
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Fonte: https://g1.globo.com